Amor fora de sintonia
-
Quando eu quero sua atenção, você me dá um novo outro assunto
Se em um dia você me quis, com outra eu estava antes
Nosso amor sempre esteve fora de sintonia
...
sábado, 26 de novembro de 2011
quinta-feira, 24 de novembro de 2011
A Caixa
Hoje olhei essa foto... Lembrei do aspecto espectral que eu tinha iluminada somente pelo monitor, sem nem tocar as teclas, braços pendurados, mãos geladas... Lembro-me de me debater até as vezes até ficar exausta, gritar, de não sentir as pernas, das lágrimas, que de tantas, já pareciam feitas de fogo, saindo dos meus olhos, cada vez mais inchados, cada vez mais vermelhos, cada vez mais doídos. Lembro-me de como isso acontecia uma vez por mês, duas vezes por mês, uma vez por semana, duas vezes por semana, seis dias de sete dias da semana, todos os dias... Lembro-me de deixar de comer, de querer deixar de respirar, de querer deixar de existir. Lembro-me de me sentir suja, feia, desprezível, detestável, vulgar, repugnante, patética. Lembro de poucas das palavras, lembro de pouquíssimos motivos, mas o sentimento ficou guardado, pulsante, teso, dentro de uma caixa como a de Pandora.
Inteligente é quem não abrir a caixa, porque tem o meu pior monstro interior ali. E pode acreditar que se alguém abrir essa caixa, o máximo que eu vou sentir é uma sensação de euforia infantil: como a da criança doente que arranca as pernas de uma barata ou ri do amiguinho que chora porque caiu e ralou a perna. Não existe nada mais cruel do que a ingenuidade e o alheamento de uma criança.
Inteligente é quem não abrir a caixa, porque tem o meu pior monstro interior ali. E pode acreditar que se alguém abrir essa caixa, o máximo que eu vou sentir é uma sensação de euforia infantil: como a da criança doente que arranca as pernas de uma barata ou ri do amiguinho que chora porque caiu e ralou a perna. Não existe nada mais cruel do que a ingenuidade e o alheamento de uma criança.
sexta-feira, 28 de outubro de 2011
A Paz
A Paz tão desejada, a paz interior, é um estado de humor, somente isso. Ela não existe. Ela é sim, sentida, quando a vibração do espírito se aquieta e se sincroniza com a vibração da alma menos superficial. Você pára de perguntar. A Paz tão almejada é quando você pára de perguntar. É um descanso, uma calmaria suave, um momento no qual você não se move dali. A Paz Verdadeira é venenosa, perniciosa para com aqueles que buscam algo maior de si mesmos. Ela o faz parar de buscar. Não se deixe enganar.
Ela o prende a um estado supostamente ideal, mas parar de vibrar, questionar, abandonar o tormento primário de existência de qualquer forma de vida humana que não é banal é simplesmente impossível. Você pode adormecer, anestesiar e ignorar, mas se você faz parte dessa minoria espiritualizada, vai saber que depois tudo volta do ponto que parou, e a vibração o deixará coma insônia que você conhece tão bem, ou sem fome, ou com muita fome, ou nervoso, ou disperso, ou talvez até mesmo tudo isso juntos, pois buscar respostas só vale para os bravos e os dispostas às conseuqências. E deixar de zelar pelo bem-estar corporal abre buracos na alma, que enérgica de dúvidas, debilitada, fica baça e destrutiva para com os outros. É a vibração, que precisa, acima de tudo, estar numa carne rígida pra não despedaçá-la também.
E a Paz, o que ela trás além de falsas esperanças de um fim desse questionamento? O que é além de um modo de se enganar? Seja ela pela religião, que finge lhe dar respostas que você finge que engole, seja através de uma fé compacta em algo que nem ao menos se dá ao trabalho de ser religião, um grupo, uma ação, para que serve essas coisas afinal, a não ser para calar a alma das pessoas e as prender a uma obrigação que não existe? Assumir as obrigações para com seu corpo, alma e mente são coisas que não dependem de grandes grupos para te mandarem o que fazer. Caminhar em sincronia com o divino é, sim, buscar essa vibração e respostas, é buscar perfeição mesmo que sem jamais alcançar. Se o questionamento acaba, a alma pára de vibrar, e a Paz, a fadada Paz, nada fará além de matá-la, eis que a alma existe por si, através da vibração, e essas ondas emanadas são você. As coisas que você é sem que elas apenas te guiem ao alimento, abrigo, coisas fundamentais ao corpo. A alma também lhe auto-sabota. A alma também lhe dá encanto individual. E ela mingua se pára de vibrar. Ela deita e desaparece. Ela, sua luz singular, simplesmente somem. E é a escolha fácil, e os regulares sempre escolhem a maneira mais fácil. Mas, no fim, vale a pena?
Eu digo não, porque é através dessa luz que você tocará as pessoas, os animais, que você irá criar momentos, objetos, obras inesquecíveis. Sem ela, a conexão desaparece. Sem conexão, você, superficial humano covarde, vai caminhar vivendo morto, dia-a-dia, afundados a passatempos infundados tentando consumir um suposto tempo que é mais precioso do que o próprio dinheiro que ganhará por toda vida. O dinheiro você ganhará mais, o tempo, cada segundo é uma perda eterna. A cada segundo é mais um passo para a forca, o suspiro final, e o tempo é curto, nervoso e imperdoável.
É o segredo. A Alma vibrante. A falta da Paz que insiste em sempre ir embora. Se vai ser infeliz e tormentoso ou se será intenso e proveitoso, depende só do que você quer que seja. Não existe descanso. O verdadeiro descanso está em não se cansar jamais.
Ela o prende a um estado supostamente ideal, mas parar de vibrar, questionar, abandonar o tormento primário de existência de qualquer forma de vida humana que não é banal é simplesmente impossível. Você pode adormecer, anestesiar e ignorar, mas se você faz parte dessa minoria espiritualizada, vai saber que depois tudo volta do ponto que parou, e a vibração o deixará coma insônia que você conhece tão bem, ou sem fome, ou com muita fome, ou nervoso, ou disperso, ou talvez até mesmo tudo isso juntos, pois buscar respostas só vale para os bravos e os dispostas às conseuqências. E deixar de zelar pelo bem-estar corporal abre buracos na alma, que enérgica de dúvidas, debilitada, fica baça e destrutiva para com os outros. É a vibração, que precisa, acima de tudo, estar numa carne rígida pra não despedaçá-la também.
E a Paz, o que ela trás além de falsas esperanças de um fim desse questionamento? O que é além de um modo de se enganar? Seja ela pela religião, que finge lhe dar respostas que você finge que engole, seja através de uma fé compacta em algo que nem ao menos se dá ao trabalho de ser religião, um grupo, uma ação, para que serve essas coisas afinal, a não ser para calar a alma das pessoas e as prender a uma obrigação que não existe? Assumir as obrigações para com seu corpo, alma e mente são coisas que não dependem de grandes grupos para te mandarem o que fazer. Caminhar em sincronia com o divino é, sim, buscar essa vibração e respostas, é buscar perfeição mesmo que sem jamais alcançar. Se o questionamento acaba, a alma pára de vibrar, e a Paz, a fadada Paz, nada fará além de matá-la, eis que a alma existe por si, através da vibração, e essas ondas emanadas são você. As coisas que você é sem que elas apenas te guiem ao alimento, abrigo, coisas fundamentais ao corpo. A alma também lhe auto-sabota. A alma também lhe dá encanto individual. E ela mingua se pára de vibrar. Ela deita e desaparece. Ela, sua luz singular, simplesmente somem. E é a escolha fácil, e os regulares sempre escolhem a maneira mais fácil. Mas, no fim, vale a pena?
Eu digo não, porque é através dessa luz que você tocará as pessoas, os animais, que você irá criar momentos, objetos, obras inesquecíveis. Sem ela, a conexão desaparece. Sem conexão, você, superficial humano covarde, vai caminhar vivendo morto, dia-a-dia, afundados a passatempos infundados tentando consumir um suposto tempo que é mais precioso do que o próprio dinheiro que ganhará por toda vida. O dinheiro você ganhará mais, o tempo, cada segundo é uma perda eterna. A cada segundo é mais um passo para a forca, o suspiro final, e o tempo é curto, nervoso e imperdoável.
É o segredo. A Alma vibrante. A falta da Paz que insiste em sempre ir embora. Se vai ser infeliz e tormentoso ou se será intenso e proveitoso, depende só do que você quer que seja. Não existe descanso. O verdadeiro descanso está em não se cansar jamais.
segunda-feira, 19 de setembro de 2011
~
Ocorreu um caso
fruto do mais tenro acaso
desdobrado pelas circunstâncias mais mesquinhas
e recheado da verdade que tudo que dura tem
Um casório sem casados
um ajuntamento ilusúrio
um olhar permanecia
um desiluto criando novas raizes em matéria grossa.
E camada sobre camada, um desenho
um poema
uma sobrancela
um olhar despreocupado.
E os corpos tombando lado a lado à preguiça e ao ritmo
descompassado de uma tarde qualquer
que cisma terminar cedo demais.
E já haviam me dito os outros que,
no meio de tudo, talvez fosse isso
isso fosse o amor, talvez fosse isso
e eu comecei a acreditar ser.
E não havia o que não acreditar.
Isso deve ser amor, isso deve ser
essa sensação de pés que o chão não tocam
essa coisa simples de sorrir e agradecer um gracejo
com um beijo.
E ele disse "isso é, eu sei que é amor"
e segurou mãos firme,
e olhou pra frente o amanhecer nublar
e deixou o vento bater e se deixou ficar
mais uma tarde despreocupada.
Aquilo é, é óbvio que é amor
a permanência do gosto,
a plenitude do descompasso
e a sutileza da raiz.
E os corpos tombados lado a lado
destituídos de tempo
desiludidos dos falsos milagres
deslizando lentos
pra um lugarzinho pleno de eternidade.
Ela sabia, ele sabia
aquilo devia ser amor, era pra ser amor
era um vibrar comuto de desarmonizar
tudo ali do lado de fora da bolha
criando do nada uma luz desigual
derramando graças nos olhares dos desocupados.
fruto do mais tenro acaso
desdobrado pelas circunstâncias mais mesquinhas
e recheado da verdade que tudo que dura tem
Um casório sem casados
um ajuntamento ilusúrio
um olhar permanecia
um desiluto criando novas raizes em matéria grossa.
E camada sobre camada, um desenho
um poema
uma sobrancela
um olhar despreocupado.
E os corpos tombando lado a lado à preguiça e ao ritmo
descompassado de uma tarde qualquer
que cisma terminar cedo demais.
E já haviam me dito os outros que,
no meio de tudo, talvez fosse isso
isso fosse o amor, talvez fosse isso
e eu comecei a acreditar ser.
E não havia o que não acreditar.
Isso deve ser amor, isso deve ser
essa sensação de pés que o chão não tocam
essa coisa simples de sorrir e agradecer um gracejo
com um beijo.
E ele disse "isso é, eu sei que é amor"
e segurou mãos firme,
e olhou pra frente o amanhecer nublar
e deixou o vento bater e se deixou ficar
mais uma tarde despreocupada.
Aquilo é, é óbvio que é amor
a permanência do gosto,
a plenitude do descompasso
e a sutileza da raiz.
E os corpos tombados lado a lado
destituídos de tempo
desiludidos dos falsos milagres
deslizando lentos
pra um lugarzinho pleno de eternidade.
Ela sabia, ele sabia
aquilo devia ser amor, era pra ser amor
era um vibrar comuto de desarmonizar
tudo ali do lado de fora da bolha
criando do nada uma luz desigual
derramando graças nos olhares dos desocupados.
sexta-feira, 16 de setembro de 2011
E ele disse:
- Eu preciso de você.
E ela:
- Que?
- Eu disse preciso.
- De que?
- De você, oras!!
- De que??
- DE VOCÊ!!!
- Opa, desculpa, tinham umas bolotas de algodão no meu ouvido. - Aí tirou. - Pode repetir?
- Ah, deixa pra lá!
- Ah, vá lá! Diga!
- Que raios bolotas de algodão faziam nos seus ouvidos?
- Não lembro porque coloquei...
E a conversa não ia chegar a lugar nenhum. Mas ela tinha ouvido. E ele sentiu alívio dela fingir, naquela hora, que não tinha.
E ela:
- Que?
- Eu disse preciso.
- De que?
- De você, oras!!
- De que??
- DE VOCÊ!!!
- Opa, desculpa, tinham umas bolotas de algodão no meu ouvido. - Aí tirou. - Pode repetir?
- Ah, deixa pra lá!
- Ah, vá lá! Diga!
- Que raios bolotas de algodão faziam nos seus ouvidos?
- Não lembro porque coloquei...
E a conversa não ia chegar a lugar nenhum. Mas ela tinha ouvido. E ele sentiu alívio dela fingir, naquela hora, que não tinha.
quarta-feira, 7 de setembro de 2011
Soneto da Insegurança (que todo mundo às vezes tem)
De punho aberto, firme a direita
A lateral decrescente de retirada
A espada valorosa empinada
A guarda fechada, estreita
A valentia da mão dependurada
Descida pela cabeleira desconexa
A sequência de atos, complexa
Sempre em imprevisível emboscada
Mesmo suprema e cerrada, com perícia
A pequena corajosa em carmesi
Velada pelo olhar de patrícia
Às vezes amolece seu arfã de bravura
tem deveras vezes que não fecha a si
e fica modesta, e declina insegura
A lateral decrescente de retirada
A espada valorosa empinada
A guarda fechada, estreita
A valentia da mão dependurada
Descida pela cabeleira desconexa
A sequência de atos, complexa
Sempre em imprevisível emboscada
Mesmo suprema e cerrada, com perícia
A pequena corajosa em carmesi
Velada pelo olhar de patrícia
Às vezes amolece seu arfã de bravura
tem deveras vezes que não fecha a si
e fica modesta, e declina insegura
quarta-feira, 24 de agosto de 2011
Hoje acordei...
... com uma estranheza na alma, como se me faltasse alguma coisa... depois de um sonho doce, de final triste, ou pelo menos até onde eu vi acontecer foi triste, acordei com essa sensação suave de estar incompleta. Confesso que raramente me acontece e que o que me completa nesses dias é aventura, nunca ventura, mas somente um pouco de ventura, por hoje, transformaria meu dia... e ver seu cabelo escuro balançando ao vento.
É um vazio suave, com um suave vácuo, que suga de maneira igualmente suave, um nada frio, um buraco que se enche com neve macia. E aí, o pensamento se distancia desse plano e sobe milhões de degraus, e a consciência perde todo seu contato com o que os outros chamam realidade. Mas o que é mais real que o pensamento mais concreto, que não desaparece nem ao fechar dos olhos?
E o dia se estica, preguiçoso e cinzento, e deixa espaço pra se falar dos sentimentos. O que seria de alguém que gosta tamanho de falar sem eles, se eles não acinzentassem, ao menos algumas vezes? Há quem discorde, apesar de tudo. Eu ainda acho que os dias cinzentos se espreguiçam mais, e deixam mais espaço pra coisas que não pertencem ao plano material.
E no fim, o que sobra desses dias ou é uma melancolia doce, ou uma saudade encolhida, silenciosa... hoje, ficarei com a saudade.
É um vazio suave, com um suave vácuo, que suga de maneira igualmente suave, um nada frio, um buraco que se enche com neve macia. E aí, o pensamento se distancia desse plano e sobe milhões de degraus, e a consciência perde todo seu contato com o que os outros chamam realidade. Mas o que é mais real que o pensamento mais concreto, que não desaparece nem ao fechar dos olhos?
E o dia se estica, preguiçoso e cinzento, e deixa espaço pra se falar dos sentimentos. O que seria de alguém que gosta tamanho de falar sem eles, se eles não acinzentassem, ao menos algumas vezes? Há quem discorde, apesar de tudo. Eu ainda acho que os dias cinzentos se espreguiçam mais, e deixam mais espaço pra coisas que não pertencem ao plano material.
E no fim, o que sobra desses dias ou é uma melancolia doce, ou uma saudade encolhida, silenciosa... hoje, ficarei com a saudade.
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