domingo, 20 de maio de 2012

Desconexão


Desconexa cina
desconexo manto
conexão ferina
desferindo e cavando.


Desconexos olhares
desconectado da vida
perdido nos sonhos sonhados
da cama que compartilhou um dia.


Desconectadas as mãos
flutuando num vazio do espaço
contra as estrelas, deferindo golpes
do arco bem ajeitado.


Desconexas madeixas
vento do mar na tez
o caos urbanos no sangue
a poesia profunda, atmosfera.


Desconexos braços
desconexos movimentos
conectando as formas
que vê em seus pensamentos


Desconexos os sentidos
desconectados os pensamentos
perdidos nas vontades
que realizaria num dia que não chegará.


Desconectados objetos
flutuando na mesa mesquinha
derramados, organizados
ministrados com maestria


Desconexas madeixas
vento da solidão na tez
a fúria urbana no sangue
a poesia vadia, tempestade.


Poderia um dia
desconectados
estarem no outro
como se um segundo virasse o infinito?


Conexão mal-feita
divinamente  ignorada
feita pra dar errado
feita pra ser desejada
sem jamais o momento do concreto.


Ou seria só mais uma brincadeira de
"quando você parar de procurar eu dou"?

quinta-feira, 10 de maio de 2012

Crer, Desejar, Vontade e Saudade

O Crer mais forte que a própria vida
ressecado pela perda do momento
desperta firme e forte em um novo tento
velha promessa escrita e relida.


O Desejar mais intenso que uma máquina
num processo de roçar quase maestrado
um livro velho, a tempos criado
permanece forte, intocada a página.


A Vontade resoluta, mesmo sem raça
vira-se firme e esquece o passado
quando é provada e forjada quente


E a Saudade permanece baça
jamais afogada no que já foi levado
saudando sempre o que vem a frente...





O beijo é a véspera do escarro

Cansei de me deter
cansei de me algemar
cansei de contar as horas que deixei de respirar


Fingir que vou vencer
como se houvesse o que ganhar
fingir sobreviver
num lugar em que sempre faltou ar


Cansada de cair
sem ninguém pra levantar
e os pedaços ter de pedir
ajuda pra juntar
ajoelhar e ter que servir
e pedir e ter de implorar
mascarar e ter que sorver
o amargo do suplicar


E abaixada ter que ceder
e cedida ainda ter que esticar
e esticada ter de prover
e desprovida ter que doar


E quebrada ter que me erguer
e erguida nos vazios sombrios
abrir os olhos no escuro
e realizar que estou sozinha
perdida em comida cara e falso arminho
num mundo mentiroso e mesquinho
nas mãos de um Rei sem rainha
no caminho de quem solitário caminha
provendo abrigo àquele que tira
e a quem se implora por ajuda
a se recolher
os pedaços tristes que sobram no fim
de uma tarde de domingo
e de um monte de bobagens superficiais.


E no fim sobra uma rosa
e uma vontade que não há de calar
de saber como seria o dia
que houvesse um dividir verdadeiro
um desejar certeiro
sem a diluição da decepção passada
um renascimento de um que talvez um dia existisse
e se perdeu nas garras
das descrenças das mesmas mentiras que hoje conta.


Só existe uma peça pra cada metade,
uma metade de algo este seria
completando um algo que não eu.


E eu me sento
e espero o Ar
tímido, voltar a se aquecer
na clareira desconhecida
dos eus que ainda estão por vir...

quarta-feira, 9 de maio de 2012

O Desejo

O desejo é sórdido, violento e desconexo
o silêncio é o contexto da palavra
o amor é cíclico, opulento e desonesto
o solilóquio é a sentença do procrio.

A crisálida é a lamúria do estável
o estático é o delírio do delével
a delícia é o desejo da opulência
o amor é o solilóquio do silêncio.

O desejo é a crisálida da lamúria
o delírio é o delével da delícia
a desonestidade é a sentença  do desconexo
o sombrio do solilóquio do silêncio.

A opulência é o procrio da delícia
a delicia é a opulência do delírio
o delírio é o procrio da opulência
o procrio é o tormento do ganido do lamento

O delével é o cíclico do violento
o desconexo é o contexto do sórdido
o desonesto é a sentença da opulência
o sombrio é o sentido do mistério

O amor é sórdido, violento e desconexo
o sórdido é o delírio da lamúria
a delícia é o desejo do delírio
o procrio é a palavra do silêncio.

sábado, 31 de março de 2012

ressureição

Cada vez que eu morro, e volto, é como se algo ficasse perdido. O pequeno preço pago é uma parte da alma que, quebradiça. é gasta no processo. O que vai sobrar então, no fim...? o sentimento das outras coisas? será que eu ainda vou estar aqui no fim?Um corpo oco seguia funcionando...

quinta-feira, 15 de março de 2012

Poeira de Estrelas

Somos todos insignificantes, mínimos fragmentos feitos de mínimos fragmentos feitos de mínimos fragmentos de energia, com o fenômeno incrível da massa... Somos feitos de poeira das estrelas e micro-existência perante a grandiosidade absurda e descomunal da colcha de retalhos galática da qual fazemos parte, talvez em um universo e com outros paralelos, onde talvez pessoas sejam bolas brilhantes feitas de poeira de pirulito...
Quer dizer, indo ao ponto: pessoas são insignificantes, todas elas, cada uma na sua singularidade, e ao mesmo tempo especiais... deve ter um motivo para sermos, um a um, tão únicos, e ao mesmo tempo insignificantes. Mesmo as maiores mudanças da humanidade e do planeta, não significam um grão de farinha no  universo... talvez seja a forma que a Grande Obra tem de nos dizer que já é tempo das pessoas se levarem menos a sério...
E, como diria um amigo meu, deixo para vocês a frase: "A vida é uma oportunidade. Aproveite."

quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

Pessoas

Pessoas são sentimentos múltiplos empilhados desordenados em estantes disformes. Sim, pessoas são sentimentos. Pessoas disformes. Movimento.
Segredos.
Prazeres.
Tormentos.
Em jorros.
Estantes.
Pessoas são pensamentos sentimentais, pensamentos agrupados, 
raramente racionais.
Pessoas são desespero de não serem nada.
Pessoas são o desespero de nada saberem.
Pessoas transitam e esbarram.
Pessoas são a razão entre seus pensamentos e sentimentos.
Se isso fosse um número, esse número seria igual à pessoa.
Igual a Pessoa.
pensamentos/Sentimentos = pessoa.
Pessoas de pensamentos maiores que sentimentos serão números inteiros.
Pessoas com sentimentos maiores que pensamentos serão sempre pedaços.
É uma lei da vida, é um modo de ver.
É um espelho da vida, são modos de ser.
Se pensamentos vem com minúscula, se Sentimentos vem com maiúscula, por que?
É só a prioridade atual da raça humana. 
Razão da medida das pessoas.
Sentir devia ser subjugado ao pensar. O contrário gera descontrole e sofismas e retóricas e absurdos lógicos e científicos.
E aí é só guardar um espacinho pra esperança, e que não morra. 
Vai dar certo. Não há receita errada, mas há tentativa e erro.
A simplicidade das coisas está aí.
A genialidade está em perceber o óbvio que ninguém viu ainda.
A sabedoria está em reconhecer que o conhecimento não pertence a genialidade de ninguém.