terça-feira, 20 de outubro de 2009

Angústia

A boca está seca, e a fome escassa... Às vezes me pergunto sobre essa trilha.
Em algum momento de tua vida, tu já quiseras pegar do teu mais valioso ganho, e pôr tão perto, mais tão perto que não mais divisão haveria entre ti e ele? Infelizmente minha noção de casa continua distante das minhas mãos, e sou obrigada a tomar dela à goles curtos.
Maldita serotonina e endorfina conspirando contra mim...

sexta-feira, 16 de outubro de 2009

Caos

Éris: deusa da discórdia e do caos. Diz o mito que ela possui uma maçã, uma maçã mágica, presenteada a ela para que parasse de se queixar, e com a maçã, ela espalha o caos e a discórdia entre os seres humanos. Uma mulher muito bonita que só faz a bagunçar... 


... assim como eu. Maldita hora que assim fui feita, maldita hora que desta forma me desenformei... Não há real beleza, é algo mais, nada me impede de olhar a mim e me ver apenas como uma garota comum; meus olhos, voz, nada disso é suficiente... O que se esconde por trás? Sorte? Que os mais mal-amados não me levem a mal, mas aqueles que apreciam o amor alheio e que não o correspondem, são, no mínimo, sádicos. Não tenho prazer algum em ver pessoas que nada me fizeram sofrer. Se eu tivesse, AH! se eu tivesse a maçã, tudo, TUDO, seria diferente... Nada de caos, eu faria enxergar os cegos, faria-os enxergar quem eu realmente sou. Paraliza-me tudo isso... Todo esse carinho ( que sobrará às moscas), todo esse sentimento e essa coragem de vir até mim e me dizer; TUDO ISSO!!! jogado no lixo. Dor? É superficial. A agonia... e cada vez mais a certeza maldita de que eu não devia ter acordado, eu não devia ter saído de casa, eu não devia ter me movido da cama... Quebrada? Sim, sempre. Para sempre. Por cada pancada que recebeste e eu não estava lá, por cada vez que eu não fui seu escudo, e por todas, TODAS as MALDITAS vezes que o foram por mim, e eu jamais poderei retribuir... Dor é pouco. Mundo injusto, maldito mundo injusto que joga as coisas boas às moscas, que desperdiça o que existe de bom em coisas inúteis. Cada coração que eu parti, cada coração inocente, me arrasa mais um pouco. Sim, eu sou o caos, eu sou uma ilusão bonita, eu sou um sonho divertido. Mas a verdade bem sincera é que, alguma hora, o sonho, a ilusão, tudo isso, iria descer pelo ralo, e eu junto; é preciso algo mais, algo mais do que emoções, é preciso enxergar através, é preciso tanto... 
Eu não sou bonita, isso é a sua cabeça que está sendo levada a pensar; eu não sou charmosa, eu não sou estilosa, eu não sou divertida; eu sou insensível, esquizofrênica, arrogante, teimosa e insuportável. Eu não sou uma boa pessoa para ninguém.
Ainda estou quebrada. Não vai colar. Nunca vai ser a mesma coisa, nunca vai ser o que nunca foi, sempre foi quebrado; não existe cola, é preciso ver as rachaduras e amá-las como quem ama um diamante perfeito. Isso é para poucos... isso é para um. Enquanto isso, os outros pagam o raio. Eu sou o caos, sim, o caos, e não se engane, nenhum orgulho de ser o que sou; não sinto orgulho algum de ver uma pessoa que nada me fez se dar mal, ficar chateada ou triste. Talvez seja a real hora da nossa - de nós dois, ou melhor, nós três (para não dizer que não falei das begônias) - irmos para aquela ilha deserta...
Maldita hora que resolvi nascer.


Texto escrito em momento caótico, ignorem os erros. 














Apesar de saber que o é, apesar de saber que a hora chegou, eu juro, juro por todos os deuses: eu ME RECUSO a crescer.

sábado, 3 de outubro de 2009

Os dois contos malditos ~ Clorpromazina - Haloperidol

Assunto complicado? Sim.
Consegue imaginar aquilo que deveria te ajudar atrapalhando sua vida? Piorando ainda mais a situação? Prejudicando seu corpo e sua qualidade de vida? Pois imagine. Não se cegue. Não é porque um cara é formado em algo que ele é a verdade absoluta e o saber. Cuidado, pense sobre si, pense sobre as vantagens e desvantagens, conheça a si mesmo, e decida: não deixe ninguém decidir nada por você.


Clorpromazina
Você, já ouviu falar do Amplictil? É o nome bonito para o nosso amiguinho acima. Alguns anos depois eu descobri que ele, e os outros priminhos dele que eu tomava na época pós-internação (anti-depressivo, ansiolítico) deviam ser ingeridos com leite para evitar problemas graves no estômago. Engraçado que eu não entendia porque, quando os tomava, esmagados, na clínica, minha garganta ardia, ficava dormente, e depois dolorida... Hoje eu sei. Meu eu da época? Eu falo um pouquinho dele.
Olá, prazer, eu sou a Nightwaliker, tenho 17 anos e problemas nos rins e gastrite. MInha vesícula vive me sacaneando e eu tenho, fora isso um bom estado de saúde. Estou tendo surtos terríveis de auto-mutilação e odeio o mundo, exceto meus amiguinhos e meu namoradinho. Sou bonitinha, tenho um peso bom para minha altura, mas emagreci muito na internação, meu cabelo longo e cacheado está quebradisso, estou anêmica por problemas com a alimentação dentro da clínica, mas estou me recuperando... E tinha esse carinha, esse comprimidinho branco. Eu o tomava todos os dias de manhã, e não conseguia comer de manhã, mas fazia um esforcinho, afinal uma maçã até que desce, ou uma pêra, porque tomar remédio de estômago vazio faz mal, não é mesmo? Qualquer idiota sabe disso.
Essa era eu na época. Coisa fofinha..., Não conseguia manter a cabeça de pé por causa do sono, fazia pré-vestinbular e não passei para nada, ninguém sabe porque... Talvez porque eu sentia tanto sono, TANTO SONO, que nem que passasse a orquestra russa explicando o maldito conteúdo de física, eu ficaria acordada. Sorria, você está sobre controle, sem surtos, fumanbdo feito uma condenada, mas sem surtos - sem vida, sem ânimo, sem sorrisos largos, sem vontade de existir... mas sob controle! Parabéns! Dores abdominais fortes, deve ser gases. E eu tomava remédio para gases, e não melhorava. Até o dia quer notei que, nervosa, a dor piorava. Eu comia compulsivamente para tentar fazer a dor parar, e não parava. E minha vida melhorou? Não, desculpe, piorou, beijos. Gastrite nervosa foi o resultado que a endoscopia mostrou, coisa da qual eu nunca haviua sofrido antes. E essa é a primeira história  que me fez desacreditar da medicina psiquiátrica.


Haloperidol
Sabe aquela dragueazinha tão famosa, todos falam nela para tratamento de esquizofrenia e outras patologias relacionadas, contém os surtos psicóticos e as visões? Contém mesmo? Ajuda mesmo? Não a mim. Essa é a história de como eu decidi parar de tomar essa medicação. 
Estava em situação grave de depressão, e o desespero da falta de apetite e da angústia me levaram a procurar um profissional. Dentre outros 3 medicamentos, me foi receitado o tal. Temi um pouco, mas o médico procurou me deixar tranquila, dizendo que a rigidez muscular seria reduzida por um dos medicamentos que ele me receitava, um certo anti-alérgico. Bula na mão, medicação a postos, fui para casa com um sorriso no rosto. E assim foi por algum tempo. A combinação bombástica de medicação me causava um sono surreal, eu dormia quase o tempo todo, quando não estava dormindo, sentia sono; não conseguia formar uma oração composta sem me enrolar, meus pensamentos pareciam anestesiados, era como se todas minhas capacidades mentais tivessem sido reduzidas a um décimo do que eu tinha antes. A falta de ânimo, a falta de vontade de levantar da cama não melhoraram; eu apenas tinha esperança numa recuperação - que não viria. E nesse contexto, se passou o episódio da estação das barcas.
Era um local até com pouca gente, eu havia comido algo antes de entrar e aguardava o horário de partida. Foi quando vi algo que jamais me esquecerei, que jamais do tipo havia visto antes. Estava ali, perante meus olhos: um crocodilo, e dos grandes! Apavorada, tentei mostrar ao rapaz que me acompanhava o que eu via, que não podia ser possível! E que o bicho estava me chamando, pelo meu primeiro nome, me ameaçando, dizendo que ia me devorar!!! O que fazer?? Eu entrei em surto. Com toda boa vontade, o rapaz me acalmou, falou comigo, disse sobre eu deixar o jacaré de lado, que o bicho não ia me pegar porque ele estava ali (e quem seria idiota para num momento daqueles me chamar de doida e dizer que não tinha nada ali? Acredite quendo eu digo: muitos! E piorariam ainda mais a situação). E o animal falava que ia me pegar, me mandava pular na água para eu ver só o que ele faria, me ameaçava, eu em desespero, suando... Depois eu soube que disse coisas que nem lembrava direito, todas sobre o animal, algo de arrancar os cabelos. 
Relatei ao meu médico, ele achou que o medicamento não era suficiente, aumentou algumas coisas. Minha mãe, desesperada, sem saber o que fazer, me levou a outro profissional. Lá eu descobri que o haloperidol pode ter efeito oposto ao esperado em alguns organismos. Era minha segunda prova de que médico algum é a verdade e o saber absolutos.




Então, não, obrigada, mas eu amo meu corpo, não encher ele de porcarias apara me adaptar a esses padrões ridículos pré-impostos pela sociedade de normalidade. Eu NÃO VOU  ao seu psiquiatra, NÃO QUERO o telefone do seu bom médico, minha vida é linda, e sim, eu não preciso dessas porcarias que vão me matar antes que o cigarro teha chance de fazê-lo, ou que podem me deixar completamente estragada para o resto da minha vida. Fique com seu método, eu tenho o meu: tenho meus "problemas" desde quatro anos de idade, e não morri ainda. Não é agora que um bando de laceraçõezinhas no braço vão me matar.

terça-feira, 29 de setembro de 2009

Rapsódia V

Num grito abafado e sinistro, retesado
resquício dum soustício bem-amado,
permanece no vício cardial sereno
o desejo suplícito dum sono pleno.


Deidades desdenhosas sorriam empíricas
dos platõnicos suspiros, surdos, oníricos...
dos contos confusos, rabiscados homéricos
de um coração arisco, hermético, sibérico.


Que a voz mais aveludada administre
o dogma verticalizado das verdades
e do enigma mais velose das saudades


seja tecido o segmento do mais rupestre
feito da floresta desse mais bem-quisto
mistério ministrado de solário misto.

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

Ódio

Hoje acordei odiando tudo... odiando a cama que tanta sensação de conforto dava e quase me fez ficar, odiando a louça na pia que, em seus lindos contornos de natureza morta, em plongé, quase me fizeram ficar e lavá-la; ódio profundo do telefone me encarando, quase uma crise furiosa contra o chuveiro quente e acolhedor.  A ira por dentro dos gatos, macios e gentis, segurando-me onde eu não posso estar agora, e ódio dessa inspiração. Inspiração de escrever logo agora, que vontade de derrubar o monitor, gritar e fazer ela parar. Dar-me um susto, jogar as porcelanas na parede, depois ficar quietinha e desenhar o resultado. Vida bandida.
O ódio tem movido-me de forma cabal esses dias: ódio da distância, ódio do tempo arrastando-se, ódio dos detalhes rômbicos dos cantos do apartamento, das peças e do cheiro gostoso daqui, esse espaço que está começando a ficar tão preenchido de lembranças que mal consigo respirar aqui; mas sair piora, lá fora, realmente não respiro, o ar se recusa a entrar, e lá fora está todo um mundo para eu odiar, novas pessoas para eu odiar, novas coisas irritantes e burras, tudo implorando para eu perder o controle e fazer o sangue - alheio ou não - derramar. Quem  nunca pensou em escrever o próprio manual de instruções e distribuir para os próximos? No meu, o guia de "Cuidados com sua segurança" seria enorme... Não sei mais como reagir, ninguém fez-me nada (?) e meus dias continuam os mesmos de sempre! Essa fúria estranha de coisas que não tem culpa, talvez eu só esteja transformando tristeza em raiva, inconformismo em raiva, arte que não transborda-me o corpo em raiva, saudade em raiva. E a raiva se acumula, tira-me o sono, agonia-me os ossos, e faz-me temer cada dia que preciso cruzar a porta e encarar o mundo lá fora, o mundo frágil, mole e quebrável... As mesmas mãos que criam destroem, a mesma mente que se estica num zigue-zague de detalhes minunciosos feitos com os lápis de cor pode sim simular e dissimular tantas formas diferentes de quebrar madeira e ossos que os mortais regulares mal podem imaginar... 
Sinto ódio dessas transformações no meu corpo, essas coisas que o fazem falhar ou atormentar-me de incômodos estranhos; sinto ódio da minha vontade egoísta de livrar-me dele, sinto ódio de ter todo esse sangue e não poder pôr ele do lado de fora do corpo, nem uma parte dele, nem um pingo, sem enlouquecer tudo que eu amo e prezo; sinto ódio de ter essas vontades. Como numa fábrica, tudo alimentado de eletricidade, incluindo os próprios operários, a única energia que ando tendo é a que o meu ódio gera-me e essa energia move-me, é a única que ando conseguindo ter esses cinco dias simples e delicados, que começam quando eu despeço-me, e terminam quando eu digo "oi, o que vamos beber hoje?" Esses malditos dias consumindo-me a razão, esse maldito ódio consumindo-me as forças de sorrir, agravando-me o desejo de quebrar o que é frágil, e quebrar o que não o é, essa força, que esgotada, culmina em dor profunda e ainda menos significada...
Fúria maldita, quase uma cruz, força descomunal para manter o controle, talvez sedada eu estivesse melhor: deixando os pensamentos anestesiarem um pouco, deixando os sentimentos anestesiarem um pouco. Destruir meia dúzia de incrédulos, de irônicos, todos objetos cretinos do dia-a-dia... Única força alheia a todo esse ódio tem sido o amor que sinto, a vontade de os cinco dias terminarem, a ânsia da presença materna em dias aleatórios, a presença dos bichanos... O resto é ódio denso e concentrado, empelotado por dentro e derramado pelos furos do nariz, cantos da boca e pelos ouvidos, pelos olhos - lágrimas, e do interior da mente, bem do fundo, e inundando todo resto.
Talvez finalmente seja a hora de começar a pensar em crescer. 




Eu NUNCA vou me adaptar.

sexta-feira, 18 de setembro de 2009

7 retas


Tudo começou com sete retas mal-feitas... a mão nunca pára de tremer. De sete retas, esticaram-se sete minutos, dos sete minutos, sete horas; sete dias em sequência. As sete retas foram riscadas no cartaz do ponto de ônibus, depois foram cobertas e arredondadas por sete linhas melhores, e por fim, arrematadas durante sete minutos, numa continuidade que um desenho pode ser desenhado, e nunca parar. Boa noite, digo; boa noite à distância, e quem sabe um dia, tão perto que vou sentir tua respiração....
Nem todos nessa vida tem a chance de vivenciar o vislumbre de sua real musa.

Obsessão


Mors sordesium est, Amor non.



Loucura... beirando a loucura, ânsias incontroláveis. A cada novo segredo que se abre, outro segredo é desejado. E em suspiros pausados e bem medidos, uma sequência curiosamente premeditada e em cascata de novos segredos, inesgotáveis. 
Um rim: o primeiro que foi estudado foi aberto, destrinchado, remexido e esquartejado, e desse estudo, mais perguntas se abriram. E abrindo, destrinchando, remexendo e esquartejando, novas perguntas surgem na minha mente pueril. O mundo acontece, as surpresas que os seres humanos pregam e impregnam permanecem as mesmas, sem mistérios; mas um vislumbre, um simples vislumbre de uma cena tua, de um ângulo diferente, me enche de perguntas... E a cada resposta, um novo enigma, e a cada enigma, mais mil novas perguntas. Perguntas tantas que a maioria nem ao menos tem realmente resposta a ser dita, tantos sinais, organizá-las em palavras só poderia ser mais complexo que a resposta em si. 
Expressar-te em arte: detalhes captados, convertidos, aproveitados e derramando dos meus trabalhos... Uma visão tão única de tudo, expressada simploriamente numa linha, numa mancha, num detalhe, numa palavra num poema qualquer, num suspiro quando mastigo o lanche; mais uma sequência de incógnitas à minha mente, mais uma sequência de perguntas, mais uma ânsia por respostas, e o mundo se torna uma tela expressionista gigantesca e trivial novamente. Intrigante.
Laqueio os olhares na tentativa de lê-los; a pátina que deveria aparentar gasta, se revigora na graça da analítica visão de tudo. O charcoal cheio de nuances ainda não possui nuances de claro e escuro suficientes para exprimir todos os seus deégrades... A arte nunca consegue dormir. 
E sob as perguntas, uma sombra densa e confusa, uma sombra onde vivo meus dias, cada vez mais pitorescos e saborosos; na sombra tremo, obstinada, teimando por descobrir todos os segredos, mapear-te como se mapeia um deserto, mas não há nessa existência criatura capaz de mapear um território onde mesmo que caminhando pela eternidade, jamais há de ter real começo e fim... A tentação real, o pecado maior é transcender-te, e num começo e num fim irraigados por belíssimas rachaduras, fazer parte de ponta à ponta daquilo que não sou eu, mas faz parte de mim.
Eis então que vejo-me: tonta, torta, transformada, arredia; nômade-primária-obtusa-petulante, obcecada. Na ponte enorme entre cada pergunta e cada resposta, uma vontade que não faz parte de mim... E surpreende até o mais incomum, pois toda essa extensão de paraíso, cabe na palma da minha mão...