domingo, 4 de janeiro de 2009

O expresso da meia-noite 2

O expresso parte... Ele segue em linha reta, deixando para trás o anel, as histórias sepultadas pelo sangue desperdiçado, e de longe ainda se vê, com certo arrependimento, o reflexo de olhos saudosos. Nesses olhos brilham a culpa da fraqueza, a culpa dos erros, mas não a culpa do atraso. Mesmo que ainda não houvesse partido o expresso, restaria ainda uma longa linha delgada de significâncias além de dedos que só sabiam retirar, nunca conceder e a mão que se estende. A pequena mala com pouquíssimos coisas - coisas contadas - é carregada para o interior do vagão, e lá existe algo bom, bem melhor de se olhar que o que devia ter chego à estação na hora. Talvez tenha até chego, mas não pude ver. O vagão, lá estava ele, a esperança cintilando inquieta, o vibrar dos vocais indefinidos de um adeus que não foi compreendido. Um ponto.
E veja a grande surpresa! Lá estava o adeus duplo, um atraso significante, um sussurro desleal e crispado, o vento correndo entre os vagões sacudindo os cabelos de tudo aquilo que ficara para trás. 
E logo mãos não eram mais mãos; perfumes com sabores jamais experimentados, um ardor incontável que crescia, hora a hora, um bem-querer tamanho querido que distorcia a visão temerosa dos trilhos a frente. Um gelo na espinha, se espalahdno pelas vísceras e deixando um rastro de fogo intenso, o renascer de um pedaço do espelho da carne que por tanto ficou morto, inativado e silencioso. Lá ia ele, rompendo o tudo. Folhas secas puderam entrar pelas janelas no correr barulhento do trem, e logo, não se fez mais necessário olhar para trás. Ainda havia esse olhar para lá, um cantinho do olho, ainda meio úmido, mas o tempo, o tempo sim é o rei das verdades. Logo a clareza dele faria o caminho que ficou atrás perder o brilho, e ser apenas o caminho que ficou atrás. Deixa ser. Deixa estar. Seja e esteja. Saiba a hora de ir embora.

quarta-feira, 31 de dezembro de 2008

Little Susie

Composição: Michael Jackson

Somebody killed Little Susie
The girl with the tune
Who sings in the daytime at noon
She was there screaming
Beating her voice in her doom
But nobody came to her soon

A fall down the stairs
Her dress torn
Oh, the blood in her hair
A mystery so sullen in air
She lie there so tenderly
Fashioned so slenderly
Lift her with care
Oh, the blood in her hair

Everyone came to see
The girl that now is dead
So blind stare the eyes in her head
And suddenly a voice from the crowd said
This girl lived in vain
Her face bear such agony, such strain

But only the man from next door
Knew Little Susie, now he cried
As he reached down
To close Susie's eyes
She lie there so tenderly
Fashioned so slenderly
Lift her with care
Oh, the blood in her hair

It was all for God's sake
For her singing the tune
For someone to feel her dispair
To be damned to know hoping is dead
And you're doomed
Then to scream out
And nobody's there

She knew no one cared

Father left home
Poor mother died
Leaving Susie alone
Grandfather's soul too had flown
No one to care
Just to love her
How much can one bear
Neglecting the needs in her prayers

Neglection can kill
Like a knife in your soul
Oh, it will
Little Susie fought so hard to live
She lie there so tenderly
Fashioned so slenderly
Lift her with care
So young and so fair

Por que essa sensação se prorroga corroendo? Murchar, será apenas para isso?. Quando a maldita síndrome de Cinderela passa? NINGUÉM VAI PEGAR A PORRA DO SAPATO.

Po

terça-feira, 30 de dezembro de 2008

O fio.

Toquei-o e ele rompeu-se da base suavemente... Não era convencional, o oxigênio ficou arisco, e logo, as antiguidades finalmente foram para o museu.
O fio era delicado, fino, delgado, ralo; sua resiliência era sutil, mas ali estava. Ele ondulava nos caminhos do vento, de um lado para o outro, de um desenho a outro, daqueles que só se vê contra a luz. O fio surgira, e flutuando no ar, agarrou-se em meu sedimento. As intempéries das reentrâncias arrastavam-no de um lado a outro, de uma face a outra, e, estranhamente, após tudo, ele estava lá.
O fio fora guardado, reservado? O que seria agora dele que havia sido descoberto em seu esconderijo? As cascatas não o levaram, ou os mares de tudo, ou as bravias empreitadas confusas e sincronizadas, mas ele insistiu e ficou, eis então sua cor representando a ele mesmo.
Talvez seja só uma forma de dizer que sempre pode recomeçar.

sábado, 20 de dezembro de 2008

O expresso da meia-noite

Um dedo aponta numa direção incerta, um caminho está traçado em meio ás cinzas.
Deixe vir o vento, ele virá, e caminhar cega, em linhas desconhecidas estará novamente aí, como minha solução a tudo que esvazia.

Eram 11:53pm. Os sete minutos haviam sido postos no relógio de Cronus, a sorte lançada, era a hora de sentar e esperar. Os anseios reclusos, os intentos se desvendando novamente... O pano, o sumo, o tato. Uma reação em cadeia sem fim, pronta a se iniciar. O sete minutos viriam a passar, talvez como sete anos, mas sua contagem se processava, segundo por segundo, átomo por átomo estava a preparar um adeus. A chuva casta logo tocaria os chãos, e transformaria-se; faria de desertos, paraísos.
Uma luz confusa que crescia, uma luz lunar, um morar que se esvai, uma flor que passou do tempo... Deixa o vento levá-la (talvez a resposta), não deixa o vento levá-la (um desejo guardado na caixa das desgraças de Pandora). Um mergulho de cabeça, deixar espalhar o mar, deixar dizimar o astuto, deixar revelar a metade macia e carnosa de um fruto roubado, ceifado pela insanidade. Deixa viver...
A fumaça do expresso era jogada no ar, confundindo as vontades e os quereres, uma cegueira maior que a emocional. O barulho do apito ensurdeceria, roçando com velocidade descabida os sentidos enfraquecidos pelo balançar incessante das franjas... Os olhos em pedaços, sua morada funda; a beleza dos ossos sorrindo aos de fora, as carnes escapando das ironias devassas demais para serem ditas... Veja que no fim ainda restará algo para me orgulhar.

sexta-feira, 19 de dezembro de 2008

Voltou todo sangue... Voltaram as dores, existem coisas ruins das quais não dá para se livrar. Aceitar a realidade, jogar tudo para o alto, se libertar dos grilhões daquilo que esperam de você. E, então veja as coisas acontecendo.

A tremedeira das mãos, mal conseguiam alcançar o inalcansável. Era sair, fazer surgir novamente a seifadora de sorrisos. Ela voltaria, já era hora, uma hora todos precisam sentir na pele os erros. Se os erros desabrocham dessa forma, eles param de consumir.
Era quase visceral a necessidade de algo para resistir. Não era o fim ainda! Ainda havia passos que teriam de ser dados, ainda havia tanta coisa para destruir... Os pedaços pelo chão, comer a areia abandonada por toda parte, os pedaços de um sonho ilusão, um querer inventado, uma fuga absoluta. Querer florescer a dor era a fuga, a fuga, a única solução. Essa linha - amaldiçoada seja - que traçara em noites em claro de lágrimas, seria seguida. Não importa o quanto, seguiria por ela. Vou lutar por ela. Vou rasgar por ela. Deixa florescer, deixa... A tremedeira pode ser evitada, deixa despedaçar o que tiver de ser despedaçado, deixa que tudo caia de fraqueza, mas essa linha seria sempre. Ela ficaria intocada, eu andaria por ela.
Mergulhar os olhos novamente no caldo denso e adocicado, belo, deixá-lo espalhar pelo chão... Seria libertar, libertar o que consome, libertar o vibrar agoniado dos ossos, e voltar a vislumbrar o brilho natural das obsidianas.
A tremedeira domina, e um vislumbre de razão surge! A insanidade toma forma, olha com olhos arredios e histéricos, de longe, como é divertido poder ver aquilo acontecer. Piada... A tremedeira termina de fazer o trabalho que a razão começou, cruelmente torrencial. E o ácido corrosivo - esses devaneios - voltam com força total.
Mas deixar estar é o que se deve fazer por enquanto. Aos urubus - todos eles - será dada apenas a carniça que merecem.

Rebento

Do niilismo que fui fixo - ciumento! -
nesse substrato sucinto em demasia
Deixo gritar as paixões da biologia
num cruel e gigantesco fio de lamento.

Talvez tenha sido eu, parco, tal rebento
que após o desejo da chegada, passou
sem ventura, mas que tão querido ficou,
que encanta a maldição de seu nascimento!

Eis então que a ventura ganhou! Motivado
estava então tal rebento a sofrer o destino
e sua dor seria poema mal-acabado.

A luz seria doentia, a profundidade
boa amiga, os sentidos em desatino
o prazer maior dessa realidade.

E provar ao mundo que existir é uma desgraça necessária.