quarta-feira, 19 de novembro de 2008

Um era uma vez tem fim.Um adeus ardido e marcante, que nem ao menos se deu ao luxo de acontecer. Qual será o próximo passo? A próxima boca, o amor seguinte? Qual será seu motivo para continuar se esturricando por aí, se partindo e ferindo?
Olhei para trás e forcei os olhos, mas não vi nada. Você já tinha ido embora. E era quase certeza que era para sempre. Chorar? Para que? Prolongar o que não aconteceu? Talvez só uma tolice lapidada para ficar da cor que eu gosto, mas quem vai realmente saber, se nem eu mesma sei?
Acontece que aconteceu. E nada aconteceu. E tudo piorou, a saudade inunda minha alma e meu substrato a cada momento que uma ranhura sua me vem a cabeça.
Quantas vezes você teve que se colar? Quantas vezes precisou esquecer a dor, e seguir? Quantas vezes te sangraram sem dó ou piedade, e te forçaram a aceitar um destino de privação daquilo que mais queria?
E agora é minha vez. Estranho não, como de repente o jogo inverte e nos vemos perdidos numa teia sem fim de idas, mas algumas sem volta. Se eu dissesse que não existe nada mais aqui para você, seria mentira. Mas dizer que existe algo de relevante agora, igualmente mentira seria.
Será que você não entende? O tempo passa, nos corrói de uma forma que nada pode recuperar.

sexta-feira, 7 de novembro de 2008

Em algum lugar

Hoje descobri que já não é mais legal estar perto...
Descobri que no seu vácuo, meu silêncio desconfortável fica aprazível, e as coisas que tanto me irritavam voltam a ser afáveis.
Teve sim um dia que quando você estava era legal; admito. Agora não passa de um incômodo extra, mais uma pedra para eu carregar. Não vou dizer que se você morresse tudo melhoraria, mas conto os dias para você desaparecer de vez da minha visão.
O cheiro do seu cabelo está inconveniente, e aquele jeito de oscilar da esquerda para direita meio aleatoriamentente, além de ter perdido totalmente a graça, está se tornando a cada dia algo que irrita. Na verdade, nem fazes mais isto.
Menos sorrisos, menos palavras... Seria essa a verdadeira face? Seria esse o verdadeiro eu? Deve ser o vazio que te acomete. Bem-vindo ao clube, você é só mais um entre centenas de milhares. Curioso... É só ter distância para respirar que novamente todo encanto acaba. Deve ser alguma tendência natural.

sexta-feira, 24 de outubro de 2008

Os Esquecidos

obs.: nenhuma relação com o filme.

Sentei para meditar, pensei sobre tudo que cada gota d'água significou. Olhei a minha volta esperando que algo mudasse. Mudou. Pensei demais, fiquei pra escanteio...
Enquanto refletia sobre a relevância da minha existência, minha existência foi ficando irrelevante. Tão irrelevante que em pouco tempo notei que só os mais insistentes tinham ficado por perto. E mesmo assim, mantiveram distância segura. Andei, procurei, tentei pedir que voltassem. Não voltaram. Foi o pé final. Melhor não olhar para trás agora, minha cara. Melhor fingir que nunca estiveram perto. Aprenda a se sentir bem sendo invisível. Agora eles não podem mais machucar você.
Havia outros a minha volta, outros que também estavam empoeirados. Mas empoeirados que eu, outros menos. Nos menos empoeirados, notei que ainda procuravam. Nos mais, vi que voltavam a meditar e periodicamente olhavam para ver se havia alguém. E quanto menos gente, mas felizes.
Foi aí que entendi: se você se vira para dentro, e fica ali por um tempo, começa a enxergar melhor quais são os verdadeiros meios da felicidade. Eles ficam claros através do auto-conhecimento, da leitura, da introversão e também do amor próprio. Aí ´os existe verdade; os falsos se vão, os fracos se vão, e os poucos que ficam, provavelmente aprendem a meditar sobre si mesmos também. Aí surge a bela teia: a teia dos Esquecidos, forte e imrrompível, buscando sabedoria em cada um dos seus nós, e cada nó tem algo para passar.
E a verdade, límpida, então surge: podemos estar próximos, podemos estar ligados, podemos ser pequenas partes de um grande todo, mas cada parte é individual, como elétrons que se movem coordenados pelos movimentos de seu oposto, e só. E então sorrir, e ter a certeza de uma pura verdade, mesmo que muito chocante no começo:
"Estamos todos sós."

Dangerous Game

Jekyll and Hyde

Composição: Leslie Bricusse

Lucy:
I feel your fingers
Cold on my shoulder
Your chilling touch,
As it runs down my spine
Watching your eyes
As they invade my soul
Forbidden pleasures
I'm afraid to make mine.

At the touch of your hand
At the sound of your voice
At the moment your eyes meet mine
I am out of my mind
I am out of control
Full of feelings i can't define!

Hyde:
It's a sin with a name

Lucy:
Like a hand in a flame

Hyde:
And our senses proclaim

Hyde/lucy:
It's a dangerous game!

Hyde:
A darker dream
That has no ending
That's so unreal
You believe that it's true!
A dance of death
Out of a mystery tale
The frightened princess
Doesn't know what to do!
Will the ghosts go away?

Lucy:
No -

Hyde:
Will she will them to stay?

Lucy:
No -

Hyde:
Either way, there's no way to win!

Lucy:
All i know is' i'm lost
And i'm counting the cost
My emotions are in a spin!
I don't know who to blame...

Hyde:
It's a crime and a shame!

Lucy:
But it's true all the same

Hyde/lucy:
It's a dangerous game!

No one speaks
Not one word
But what words are in our eyes
(alternating)
Silence speaks
Loud and clear

All the words we (don't) want to hear!

At the touch of your hand
At the sound of your voice
At the moment your eyes meet mine

I am losing my mind
I am losing control
Fighting feelings i can't define!

Lucy:
It's a sin with a name

Hyde:
No remorse and no shame
Fire, fury and flame

Lucy:
Cos the devil's to blame

Hyde/lucy:
And the angels proclaim
It's a dangerous game!

quarta-feira, 22 de outubro de 2008

Sedentos

Sacudi a cabeça, tentei expulsar dali de qualquer jeito a impressão de que via você se materializando na minha frente. Foi só um sonho. E é profundamente detestável para mim admitir isso.
Você estava ali, sim, estava, eu pude, pela primeira vez em meses, escutar a sua voz. Os cabelos ralos estavam aparados. Acho que preferia quando estavam compridos; de tal forma, escondiam seus olhos... Aqueles olhos.
Era como olhar para um ladrão. Tive raiva daqueles olhos pela primeira vez. Já tinha notado que você era bem branco, quase aguado, mas pareceu mais bonito ontem quando fui dormir. Mas seu olhar ainda era um mistério!
Era como um criminoso caminhando na milha verde. Um destino trágico lhe aguardava e você já sabia disso. Aí, olhou para mim. Ali estavam suas respostas. Se jogou no pegiro, depois fogo... Depois não pude mais vê-lo. Mas escutei sua voz! Novamente não consegui dizer meu nome, sua voz me anestesiou. Você estava sedento, eu estava sedenta. Ameacei você! Disse coisas feias sobre saudade, e espera. Coisas tão feias que te fizeram torcer a cara. Deixei torcer. Já estou de saco cheio de ficar procurando. Mas mesmo assim, vou continuar.
Aí acordei. Seu rosto gravado na minha mente. E a boca seca.
E sei que quando você acordou, sua boca também estava seca.
Talvez estejamos sedentos de algo impossível. Bebamos então água e vamos fingir que não teve sonho. Quem sabe desse jeito, hoje à noite, consigamos dormir melhor.

terça-feira, 21 de outubro de 2008

O dia depois de amanhã

Despertar novamente e ver o dia depois de amanhã.
As visões confusas, as dúvidas, nem ao menos saber se estarei lá para presenciá-lo.
Detalhes, cara minha, detalhes. Detalhes de tamanha relevância que deixam meus dedos endurecidos e minhas articulações doídas. Detalhes que fazem meu coração perder o rumo, e meu baço ficar repleto com sentimentos positivos.
Sim, eu amo com o baço. Amar com o coração dói. É artificial, desnecessário e manjado. Aí, meu baço... Cheio de novas histórias sempre, para contar. E guardar... Algumas, para esquecer.
No dia depois de amanhã, tudo pode mudar. Mas não vai mudar. Mas eu continuo achando que vai mudar.
Por que? O dia depois de amanhã vai responder.

segunda-feira, 20 de outubro de 2008

A petulância, a curiosidade...
Logo, meus pés não tocam mais o chão.
Esse amor absurdo de viver, amar a vida acima de mil amores espalhados na poeira das velhas más intenções...
Um anel, um lasco de papel desbotado, um coração de argila. Tudo caiu e quebrou, será que um dia estiveram aqui? Será que um dia eu realmente estive aqui?
Amar a vida, e odiá-la tanto, que o ar entra azedo pela boca, e sai queimando as narinas. E saber que desde o começo era para ser assim. "Como pode alguém amar um monstro?" Como poderia alguém amar? Demonstrações escalaufabéticas de algo que talvez nem exista.
A chama queimando como se estivesse ali por algum motivo... O baço se aquece num sentimento inigualável. Palavras perdem o sentido, cada vez mais difícil entendê-las. Segundos com um porque depois de tanta espera. E saber que mais espera viria. Saber que esperar faz parte. Que o sono talvez só não seja tão necessário. Que aquelas cascatas vão estar lá, talvez estejam entre outros dedos. Imaginar mais um segundo ali, perto de um portal velho e algumas pessoas sem significado algum, fora do nosso campo semântico.
A perfeição pode estar em algum pacote diferente do imaginado. Ou pode ser exatamente como eu esperei. Ou pode estar só dentro de mim. Ou pode simplesmente não existir.
Que os próximos copos estejam cheios, que o pinguim imperador goze sua queda - que na verdade nem sabe estar a cair - e que possam haver fatias de pizza, de todos os sabores imagináveis. De pasta de dente talvez.
Odeio-me demais nesse momento por querer começar de novo.