segunda-feira, 28 de julho de 2008
Depois, do nada, assim como apareceu, sumiu novamente...
Fiquei, então, nervosa, procurando, olhava por toda parte, mas não achava. Quando fechei os olhos e caiu uma lágrima, senti surgir novamente. Abri os olhos e pude ver de novo, sorri, tentei alcançar, mas antes que eu conseguisse tocar, desapareceu novamente! Fiquei irritada, louca de raiva, muito furiosa, desisti então.
Quando desisti, eu vi novamente! Corri, tentei agarrar, mas me feriu. Chorei, me lamentei, fui embora, mas a presença logo veio me perseguir.
Com medo, resolvi olhar e estava lá, de novo. Gritei para ver se podia ser ouvida, e nada aconteceu. Gritei de novo, mas mas o único resultado foi desaparecer novamente.
A razão teria me feito desistir, um pouco de bom senso teria me ajudado a entender, mas nada disso eu usei, só queria continuar com o sonho de achar... Foi aí que vi de novo.
Dessa vez, nem me levantei. Continuei sentada, olhando, sem manifestar qualquer expressão ou fazer qualquer som; foi quando percebi que quanto mais eu queria, mas me fugia, quanto mais eu tentava alcançar, mas longe ficava, e que quando eu quase conseguisse tocar, iria desaparecer... Assustada com essa conclusão fechei os olhos. Mas não sei se quando eu abrir, ainda vai estar lá.
No fim, eu só nunca estava tentando alcançar o que eu realmente tinha visto.
quinta-feira, 24 de julho de 2008
Dead Babies
Dead Babies
Alice Cooper
Composição: Indisponível
Little Betty ate a pound of aspirin
She got them from the shelf upon the wall
Betty's mommy wasn't there to save her
She didn't even hear her baby call
Dead babies
Can't take care of themselves
Dead babies
Can't take things off the shelf
Well we didn't want you anyway
Lalala-la, lalala-la, la la la
Daddy is an agrophile in Texas
Mommy's on the bar most every night
Little Betty's sleeping in the graveyard
Living there in burgundy and white
Dead babies
Can't take care of themselves
Dead babies
Can't take things off the shelf
Well we didn't want you anyway
Lalala-la, lalala-la, la la la
Goodbye, Little Betty
Goodbye, Little Betty
So long, Little Betty
So long, Little Betty
Betty, so long
Dead babies
Can't take care of themselves
Dead babies
Can't take things off the shelf
Well we didn't need you anyway
Lalala-la, lalala-la, la la la
Goodbye, Little Betty
Sem comentários por hoje.
segunda-feira, 21 de julho de 2008
Escutando as vozes
Num momento de silêncio, resolvi parar pra escutar. Não era tão baixo o quanto eu pensava... Era até alto, meio ensurdecedor...
Gritava muitas coisas, eu não entendia absolutamente nada. Então me concentrei.Reconheci gritos, mas também reconheci choro e balbúcias, tudo vindo misturado. Logo me toquei que não era apenas uma voz, mas eram muitas, todas dizendo coisas completamente diferentes, em tons diferentes, de formas diferentes, como se cada uma falasse uma língua. Concentrei-me mais ainda. As vozes foram se tornando mais claras, e mais vozes ainda surgiram. Vozes confusas, obtusas, cada voz falava mil coisas ao mesmo tempo, e misturavam os assuntos, e misturavam os tons, como se cada voz tivesse uma centena de ecos e cada eco dissesse algo diferente.
Cada vez mais confusa, aos poucos, fui tentando entender suas estranhas línguas; elas diziam muitas coisas, as que falavam rápido, mas algumas só se repetiam nas mesmas palavras, como se estivessem passando por algum tipo de fixação sem o menor motivo...
O segredo das vozes, as línguas, os timbres, algumas até mesmo cantavam...
No fim, não entendi nada. Parei, pensei muito sobre essas vozes todas juntas, se um dia elas concordariam entre si e parariam de discutir. Cheguei a conclusão que isso nunca aconteceria. Tudo aquilo, todas as palavras misturadas, toda aquela confusão que eu não entendia, tudo aquilo, era minha consciência. Até o dia da minha morte ela continuaria dizendo coisas que não fazem sentido, gritando coisas que nada me significam.
sexta-feira, 18 de julho de 2008
Novas luvas
Logo, foram pegadas, apalpadas e percebidas pelo tato e olfato, além de em seu tolo mistério compreenderem um milhão de novas sensações.
Como seria digitar com luvas? E urinar? Ou gritar com as malditas enfiadas nas mãos? Como seria acordar com elas, dormir com elas, viver 24h por dia tirando-as apenas para evitar que se molhassem, e logo se tornassem de um conforto absoluto em um desconforto gelado, ou para fazer atividades que as pudessem sujar?
Muitas perguntas surgiram, muitas perguntas respondidas com o simples vestir daquela simples peça de vestuário. Logo, elas estavam perfeitamente encaixadas nas mãos... e no dia.
Encaixaram-se com perfeição no almoço, nos desenhos feitos, no livro lido, no controle da TV.
Encaixaram-se perfeitamente nos anseios, nas lástimas, nas agonias, nos vazios. Enfim, naquele espacinho que ficava entre a alma e a existência cotidiana e sem aventuras. As luvas se tornaram a aventura maior, seu simples vestir se tornou o maior segredo do mundo.
Conforme o tempo foi passando, logo não se dava mais pra separar o que era luva do que era mão, o que era pano do que era pele, o que era osso do que era fio, fibra com fibra, moldando o que agora era uma nova manifestação do sentir pelas mãos.
Logo, as luvas cresceriam, tomariam todo corpo; se expandiriam num campo semi-cíclico de experimentações e de minutos arrastados, seriam não apenas luvas, mas parte importante do que acontece num dia. As luvas saberiam os segredos, saberiam o momento certo para libertar as mãos de seu casulo térmico.
Talvez se tornassem uma obceção, uma loucura se ver sem elas. Parte do corpo que não pode mais ser retirada, como o estômago ou o encéfalo.
Mas no fim, que diferença realmente fazia? Já estavam vestidas, acopladas, e o resto, só o tempo diria.
quinta-feira, 17 de julho de 2008
Gnossienne nº1
Lembra-me tudo que passei, os erros que cometi, os acertos que alcancei, a espera que não sei quando virá a acabar.
As notas, em uma sequência deslumbrante, caindo da mente às mãos do pianista, sua respiração inundando a melodia. Os dedos gelados naquele enorme pedaço de madeira morta, polida e esculpida para que de seu espancamento os mais doces sons se revelem.
Gnossiene nº1 definitivamente me lembra você: as noites que sonhei, os momentos que esperei, toda arte que criei apenas por entender que apesar de você não estar ao meu alcance, esteve ao meu lado por cada instante da minha desrumada vida.
Mas só saber que um cara, a tempos atrás, teve a inspiração para criar a música que hoje dá trilha sonora a esse momento sublime que vivo, sinto-me arrepiar dos pés à cabeça, e penso: talvez não seja somente eu que estou esperando encontrar, talvez haja outros como eu que, em suas salivações insones, em seus porres e lágrimas afetadas, em seus gritos silenciosos e em seus momentos de explodir, sempre estiveram olhando um único objetivo: achar a outra metade do seu quebra-cabeça cúbico de seis cores.
Satie, em um momento de inspiração, descreve com sons precisos a aleatoriedade desses dias: os mais difíceis que passo, mas os mais deslumbrantes em contrapartida.
Criando arte agora, e sempre; chorando agora, e sempre. Talvez tenha endurecido minha casca mais que necessário, mas sei que na hora certa, ela vai despencar.
Para aquela pessoa que sempre terá o que eu considero os ossos mais bonitos que um dia haverei de sentir nas mãos a dureza e frieza.
segunda-feira, 14 de julho de 2008

As coisas estão como em uma montanha-russa.
Sinto como se minha alma estivesse tão longe, que não mais consigo alcançá-la.
Coisas que perdi, outras que me foram roubadas, outras que eu simplesmente matei.
Meu pé flutua cada vez mais alto, não consigo mais saber onde é o chão.
Misantropia agora é meu nome, seres humanos, causam algo na meu estado que me desagrada um horror. Quebrada, não consigo encontrar as peças que antes me faziam um ser humano. Não sei mais o que sou.
Mas se nada der certo, eu vou me jogar.
domingo, 13 de julho de 2008
Ser é
~ viajar feito luz;
~ renascer e morrer constantemente;
~ respirar arte;
~ fluir entre mil jeitos;
~ viver para dentro;
~ morrer para fora;
~ gritar sem barulho;
~ silenciar uma rosa;
~ falar com o que não fala;
~ cantar uma pintura;
~ ler pelas paredes;
~ sorver a alma dos seres;
~ olhar para o que não se pode ver;
~ amar por amar a cada segundo;
~ fugir das fugas do dia;
~ mergulhar na lama da noite;
~ rasgar uma ferida;
~ sonhar com o que já se realizou;
~ pisar um pouquinho acima do chão, andar no ar;
~ correr contra a força do vento;
~ ser exatamente aquilo que sempre quiz ser, sem ligar para nada que me dizem, ser exatamente como sempre fui e nunca soube.
Devorem seus deuses e ídolos, eu vou continuar sentada e de pé, comendo o que não se deve comer, devorando as mentiras que criei para mim. Meu mundo não é o seu, meu mundo não é o de ninguém. Só por hoje não vou precisar fazer o sangue jorrar para voltar a ver que é assim que eu sou rosas, é assim que eu sou, sol poente, é assim que eu sou onda do mar, é assim que eu sou cinzas de cigarro. Dispensa teus dicionários, seus sentimentos não são conceituais; dispensa seus times, seja o seu conceito; dispensa tuias ideologias, apenas pense no que acha que deve pensar, do jeito que achar que deve. Não me julgue, sou inexplicável, inexplicável, inexplicável.
E você também. Nada que meros mortais possam alcançar.