quinta-feira, 15 de março de 2012

Poeira de Estrelas

Somos todos insignificantes, mínimos fragmentos feitos de mínimos fragmentos feitos de mínimos fragmentos de energia, com o fenômeno incrível da massa... Somos feitos de poeira das estrelas e micro-existência perante a grandiosidade absurda e descomunal da colcha de retalhos galática da qual fazemos parte, talvez em um universo e com outros paralelos, onde talvez pessoas sejam bolas brilhantes feitas de poeira de pirulito...
Quer dizer, indo ao ponto: pessoas são insignificantes, todas elas, cada uma na sua singularidade, e ao mesmo tempo especiais... deve ter um motivo para sermos, um a um, tão únicos, e ao mesmo tempo insignificantes. Mesmo as maiores mudanças da humanidade e do planeta, não significam um grão de farinha no  universo... talvez seja a forma que a Grande Obra tem de nos dizer que já é tempo das pessoas se levarem menos a sério...
E, como diria um amigo meu, deixo para vocês a frase: "A vida é uma oportunidade. Aproveite."

quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

Pessoas

Pessoas são sentimentos múltiplos empilhados desordenados em estantes disformes. Sim, pessoas são sentimentos. Pessoas disformes. Movimento.
Segredos.
Prazeres.
Tormentos.
Em jorros.
Estantes.
Pessoas são pensamentos sentimentais, pensamentos agrupados, 
raramente racionais.
Pessoas são desespero de não serem nada.
Pessoas são o desespero de nada saberem.
Pessoas transitam e esbarram.
Pessoas são a razão entre seus pensamentos e sentimentos.
Se isso fosse um número, esse número seria igual à pessoa.
Igual a Pessoa.
pensamentos/Sentimentos = pessoa.
Pessoas de pensamentos maiores que sentimentos serão números inteiros.
Pessoas com sentimentos maiores que pensamentos serão sempre pedaços.
É uma lei da vida, é um modo de ver.
É um espelho da vida, são modos de ser.
Se pensamentos vem com minúscula, se Sentimentos vem com maiúscula, por que?
É só a prioridade atual da raça humana. 
Razão da medida das pessoas.
Sentir devia ser subjugado ao pensar. O contrário gera descontrole e sofismas e retóricas e absurdos lógicos e científicos.
E aí é só guardar um espacinho pra esperança, e que não morra. 
Vai dar certo. Não há receita errada, mas há tentativa e erro.
A simplicidade das coisas está aí.
A genialidade está em perceber o óbvio que ninguém viu ainda.
A sabedoria está em reconhecer que o conhecimento não pertence a genialidade de ninguém.



quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

a descoberta

Você só percebe que está caindo num buraco sem fundo quando pára de olhar para baixo e olha para cima e vê a luz cada vez mais distante... acho que todos tem momentos assim.

sábado, 26 de novembro de 2011

Ninguém nem pode imaginar o olhar que eu tenho agora, por mais que se esforcem. Mágoa, deleite, gelo, flor caída na calçada. Distante do que é claro, do que é limpo, do que é puro. Algo que vibra em mim só esperando a hora de comer.

quinta-feira, 24 de novembro de 2011

A Caixa

Hoje olhei essa foto... Lembrei do aspecto espectral que eu tinha iluminada somente pelo monitor, sem nem tocar as teclas, braços pendurados, mãos geladas... Lembro-me de me debater até as vezes até ficar exausta, gritar, de não sentir as pernas, das lágrimas, que de tantas, já pareciam feitas de fogo, saindo dos meus olhos, cada vez mais inchados, cada vez mais vermelhos, cada vez mais doídos. Lembro-me de como isso acontecia uma vez por mês, duas vezes por mês, uma vez por semana, duas vezes por semana, seis dias de sete dias da semana, todos os dias... Lembro-me de deixar de comer, de querer deixar de respirar, de querer deixar de existir. Lembro-me de me sentir suja, feia, desprezível, detestável, vulgar, repugnante, patética. Lembro de poucas das palavras, lembro de pouquíssimos motivos, mas o sentimento ficou guardado, pulsante, teso, dentro de uma caixa como a de Pandora.
Inteligente é quem não abrir a caixa, porque tem o meu pior monstro interior ali. E pode acreditar que se alguém abrir essa caixa, o máximo que eu vou sentir é uma sensação de euforia infantil: como a da criança doente que arranca as pernas de uma barata ou ri do amiguinho que chora porque caiu e ralou a perna. Não existe nada mais cruel do que a ingenuidade e o alheamento de uma criança.

sexta-feira, 28 de outubro de 2011

A Paz

A Paz tão desejada, a paz interior, é um estado de humor, somente isso. Ela não existe. Ela é sim, sentida, quando a vibração do espírito se aquieta e se sincroniza com a vibração da alma menos superficial. Você pára de perguntar. A Paz tão almejada é quando você pára de perguntar. É um descanso, uma calmaria suave, um momento no qual você não se move dali. A Paz Verdadeira é venenosa, perniciosa para com aqueles que buscam algo maior de si mesmos. Ela o faz parar de buscar. Não se deixe enganar.
Ela o prende a um estado supostamente ideal, mas parar de vibrar, questionar, abandonar o tormento primário de existência de qualquer forma de vida humana que não é banal é simplesmente impossível. Você pode adormecer, anestesiar e ignorar, mas se você faz parte dessa minoria espiritualizada, vai saber que depois tudo volta do ponto que parou, e a vibração o deixará coma insônia que você conhece tão bem, ou sem fome, ou com muita fome, ou nervoso, ou disperso, ou talvez até mesmo tudo isso juntos, pois buscar respostas só vale para os bravos e os dispostas às conseuqências. E deixar de zelar pelo bem-estar corporal abre buracos na alma, que enérgica de dúvidas, debilitada, fica baça e destrutiva para com os outros. É a vibração, que precisa, acima de tudo, estar numa carne rígida pra não despedaçá-la também. 
E a Paz, o que ela trás além de falsas esperanças de um fim desse questionamento? O que é além de um modo de se enganar? Seja ela pela religião, que finge lhe dar respostas que você finge que engole, seja através de uma fé compacta em algo que nem ao menos se dá ao trabalho de ser religião, um grupo, uma ação, para que serve essas coisas afinal, a não ser para calar a alma das pessoas e as prender a uma obrigação que não existe? Assumir as obrigações para com seu corpo, alma e mente são coisas que não dependem de grandes grupos para te mandarem o que fazer. Caminhar em sincronia com o divino é, sim, buscar essa vibração e respostas, é buscar perfeição mesmo que sem jamais alcançar. Se o questionamento acaba, a alma pára de vibrar, e a Paz, a fadada Paz, nada fará além de matá-la, eis que a alma existe por si, através da vibração, e essas ondas emanadas são você. As coisas que você é sem que elas apenas te guiem ao alimento, abrigo, coisas fundamentais ao corpo. A alma também lhe auto-sabota. A alma também lhe dá encanto individual. E ela mingua se pára de vibrar. Ela deita e desaparece. Ela, sua luz singular, simplesmente somem. E é a escolha fácil, e os regulares sempre escolhem a maneira mais fácil. Mas, no fim, vale a pena?
Eu digo não, porque é através dessa luz que você tocará as pessoas, os animais, que você irá criar momentos, objetos, obras inesquecíveis. Sem ela, a conexão desaparece. Sem conexão, você, superficial humano covarde, vai caminhar vivendo morto, dia-a-dia, afundados a passatempos infundados tentando consumir um suposto tempo que é mais precioso do que o próprio dinheiro que ganhará por toda vida. O dinheiro você ganhará mais, o tempo, cada segundo é uma perda eterna. A cada segundo é mais um passo para a forca, o suspiro final, e o tempo é curto, nervoso e imperdoável. 
É o segredo. A Alma vibrante. A falta da Paz que insiste em sempre ir embora. Se vai ser infeliz e tormentoso  ou se será intenso e proveitoso, depende só do que você quer que seja. Não existe descanso. O verdadeiro descanso está em não se cansar jamais.

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

~

Ocorreu um caso
fruto do mais tenro acaso
desdobrado pelas circunstâncias mais mesquinhas
e recheado da verdade que tudo que dura tem
Um casório sem casados
um ajuntamento ilusúrio
um olhar permanecia
um desiluto criando novas raizes em matéria grossa.
E camada sobre camada, um desenho
um poema
uma sobrancela
um olhar despreocupado.
E os corpos tombando lado a lado à preguiça e ao ritmo
descompassado de uma tarde qualquer
que cisma terminar cedo demais.
E já haviam me dito os outros que,
no meio de tudo, talvez fosse isso
isso fosse o amor, talvez fosse isso
e eu comecei a acreditar ser.
E não havia o que não acreditar.
Isso deve ser amor, isso deve ser
essa sensação de pés que o chão não tocam
essa coisa simples de sorrir e agradecer um gracejo
com um beijo.
E ele disse "isso é, eu sei que é amor"
e segurou mãos firme,
e olhou pra frente o amanhecer nublar
e deixou o vento bater e se deixou ficar
mais uma tarde despreocupada.
Aquilo é, é óbvio que é amor
a permanência do gosto,
a plenitude do descompasso
e a sutileza da raiz.
E os corpos tombados lado a lado
destituídos de tempo
desiludidos dos falsos milagres
deslizando lentos
pra um lugarzinho pleno de eternidade.
Ela sabia, ele sabia
aquilo devia ser amor, era pra ser amor
era um vibrar comuto de desarmonizar
tudo ali do lado de fora da bolha
criando do nada uma luz desigual
derramando graças nos olhares dos desocupados.