segunda-feira, 5 de abril de 2010

Perfeitamente defeituosa









É levemente torta,
virada pro lado esquerdo
uma jogadora de dado
uma folha morta
um corpo de lado
entre o copo e a porta
deixando misturado
a língua e o céu da boca.
É perfeitamente defeituosa
e carrega o mal herdado
de ser o caos de toda esposa
cujo homem perdido
vive entre uma cama triste
e uma vida oca.
E se alimenta
como se não existisse maldade
e come insipiência
e transpira indiferença
e vive bem alimentada
pelos espelhos da cidade.
E se revira de risinhos
ao olhar temeroso
do homem espantado
e da mulher ditosa
e desesperada
quem cheia de capricho
acha que ganharia algum dengo
sendo tudo como havia sido
E o queixo se ergue
e a figura se apara
desencaixada 
De tanto caminhar na noite
hoje é uma estrela
uma das frias
uma das mais arredias
e todos querem tê-la.
É uma ameaça,
um fantasma do natal passado
o maior achado, 
que aquele cara que tu amas poderia ter.
É uma doninha, 
ladra mesquinha
diaba em arminho
e alpha-seda de forro.
Uma obra magnética
um mal-dado esporro
com mil erros da vida
e mil acertos na genética
que exacerba a hermética
entre um momento mesquinho
e a sua falácia, e a tua ferida.
Alecrim amarrado mal-feito
saiu com defeito
obra única e sem jeito
e desjeitosa ficou:
arreganha as presas, vaporosa
olha os dedos na areia
e ignora esse monte de mal-amada
e de mulher feia.

sábado, 3 de abril de 2010

...

Nada é único
nada é tão especial
que não esteja jogado numa lata de lixo qualquer
antes do próximo natal


Nada é forte o bastante, 
nada significa o suficiente
tudo não passa de uma necessidade insipiente
de bloquear a solidão.


Nada além de vazio
nada além da lágrima
caída na beira do rio
da massificação.


Nada que seja permanente
nada que valha paixão
nada que valha o esforço
só mais um corpo em escorço
derramado no dorço 
da palma da minha mão.


Nada que tenha significado
além de um corpo marcado
pelas lâminas da juventude
quando é sepultado.


Nada que seja divino, 
nada que mereça mais lágrimas
do que aquelas que um olho derrama  
no tocar do sol-nascer.


Nada que seja sublime,
nada que seja superior
sou um um anjo caído nessa merda
onde esqueceram o que é o amor.

sábado, 27 de março de 2010

Goth Yourself (faça-se gótico)

(tradução do post do meu fotolog)
Tente pegar todas as suas roupas pretas do armário e monte alguns novos visuais.
Então, pegue seus batons escuros (ou os da sua irmã se você for um garoto)  use na sua boca, então nos seus olhos; ou outras maquiagens.
Depois leia sobre existencialismo, niilismo, ultra-romantismo, narcizismo, egocentrismo, talvez tentar história também, e óbvio, arte.
Depois escute TC, TBM, LAM, DCD, EA, só para começar.
Voce deve reensinar-se estética, ensinar-se sobre o bom gosto para decadência e obscuro, a estética do bizarro, a graça do trágico e do místico. Cuidado pois a diferença entre o gótico e grosserias, às vezes, é difícil para um novo pupilo. Isso tudo é muito lindo se você tiver uma sensibilidade especial para enxergar.
Você tem que compreender que isso é uma sub-cultura, algum dia talvez uma cultura, isso não é sobre a merda da sua juventude, isso não é sobre a merda dos seus sentimentos auto-destrutivos, isso não é sobre a merda da sua falsa depressão. Isso é algo importante para alguns, como eu.

Como quando um geek gritou comigo dizendo que eu não tenho as qualidades para ser uma geek. Ele tinha razão. Não quero mais fingir nada mais.
Eu sou a droga da garota niilista num mundo de felicidades falsas onde todos estão tão desapontados e sozinhos, mas nunca vão admitir. Eu admito. Isso não faz de mim diferente, só me torna não-hipócrita. Relaxe, a maioria é hipócrita. Isso me torna uma escrota. E eu amo isso.

Bem, às vezes você tem que nascer de novo. Isso não é sobre alguém escolher ou se vertir, como a linda jaqueta de couro nova ou meias listradas. Isso é espontâneo, coisa da personalidade, não uma loja.











Parei de tentar ser algo que não sou. Vocês deveriam fazer o mesmo.



terça-feira, 23 de março de 2010

Perdão

É difícil demais perdoar pessoas que continuam sabotando o carinho que se tem por elas.
É difícil demais dar segundas chances a pessoas que cometem os mesmos erros uma segunda vez.
É difícil demais sentir pena ou ter piedade de alguém que já te atirou no buraco cego e gélido da agonia.
É difícil demais dar terceiras chances.
É difícil demais se interessar em dividir o que ninguém dá real valor.
É difícil demais ensinar algo a alguém que não sabe mas não tem a humildade de admitir.
É difícil demais se esforçar para não responder a altura de certas palavras.
É difícil demais olhar os que realmente se importam recebendo o mesmo tratamento que os que não estão nem aí.
É difícil demais sofrer rejeição de alguém que supostamente já te aceitou.
É difícil demais fazer por menos quando as pessoas tentam te usar de degrau.
É difícil demais ser carinhoso com quem te apunhala pelas costas.

É impossível aceitar certas coisas sem reação.

Eu me recuso a dar qualquer farrapo mais do que vocês não merecem.
Podem dizer tchau-tchau pra coisa fofa, agora é pessoal.

quinta-feira, 18 de março de 2010

Bolha

Hoje.





Olhei de lado
e fiquei calada
perante o brilho anelado
que uma bolha
embala
não bolha de melado, 
ou caramelo arredondado
mas daquelas de sabão
ligadas umas 
nas outras
como um leviatã.
Leviana,
elevada
alienada
da leiteira e do café
leve como
a lasciva vaporosa
que eneva a folha da rosa
e desce vermelha
à lama do vaso.
E a bolha
se rompe
ao toque
de um anular.


A bolha é o corpo, a alma sou eu. Porque "você não possui uma alma, você é uma alma e possui um corpo".

terça-feira, 16 de março de 2010

Recadinho

Nesse caminho confuso e estranho, me sinto caindo em várias armadilhas, como se tudo fosse esse imenso complô para me prejudicar. Por que está ficando difícil confiar nas pessoas que eu confiava? Porque ultimamente, elas tem mudado de idéia rápido demais, elas tem sido esquivas e tem me tratado com farelos de carinho e atenção do que estavam tratando antes. Pois bem, peguem seus farelos e enfiem em seus orifícios, não quero nenhum farrapo de algo que já foi bom como prêmio de consolação. Que tal me deixarem em paz?

terça-feira, 9 de março de 2010

Equinócio de paixões

À beira de um colapso... sentou, recostou as emoções e a ansiedade nos joelhos. Tudo, está tudo dentro da cabeça, e está fazendo um nó.




Num florescer de virada
apertada,
desmedida
até um pouco recalcada, 
ela espera o equinócio.
Um equinócio de paixões, 
anjos chorosos na manhã
que desce.
Um equinócio soprando
os ventos curiosos 
do amanhecer.
Um equinócio de paixões.
Delgado 
e meio frio,
na catástrofe do tempo.
O frágil fio
da vida
no linear do rompimento,
a loucura desmedida,
o vento,
o vento.
E o equinócio que tarda.