domingo, 19 de julho de 2009

Quisera

"Quisera eu
Ser a primavera
A boa-nova
Os sabores da vida
Dentro da sua tigela colorida
De tons incomuns
E colorir um a um
Os seus momentos nus
Queria ser
Quem você quisesse ver
Te dar bom dia antes do sol
E sem te acordar, mergulhar
Debaixo do seu lençol
Quisera eu, como eu queria
Saber que você me espera
Na próxima esquina
Pra irmos pra casa."

Quisera
um sorriso calmo
em meio a primavera
no inverno mais frio 
na noite mais austera
num dia vazio

Quisera
uma paz soturna
uma preguiça calma
um pedacinho de céu
caído na sua cara
um suspiro sincero
depois de uma bebida cara

Quisera
que no dia mais triste
ainda se sorrisse
que na calada da fera
se fosse visto
um momento brutal
de amor carnal

Quisera
que na noite profunda
ainda fosse alada
a vontade que existe de acodar calada
e cuspir novamente
as mesmas tolas
juras de amor

Quisera
e queria um tanto que não controlasse
a mesquinhez de um silêncio,
e fosse rara
a vontade de calar e ir embora
mas ficou marcada
na pele,
no ar
e na memória...
quando olhei suas costas, 
e nada mais.

Vou esfregar tanto isso, que um dia vou olhar e vou ver brilhar.

"Mas não tem revolta não 
só quero que você se encontre
ter saudade até que é bom
é melhor que caminhar vazio
a esperança é um dom
que eu tenho em mim

Não tem desespero não
você me ensinou um milhão de coisas
tem um sonho em minhas mãos
amanhã será um novo dia
certamente eu vou ser feliz"

Na verdade, tem revolta sim. Uma luta que lutei com tanto ardor, e acabou trazendo mais dor do que eu consigo suportar. Às vezes, fica tão surreal que eu perco os sentidos. É sentir dor para sentir mais dor ainda. Como faço agora? Mas quero de verdade que você se encontre. Vou sofrer até a última gota para te deixar conseguir se encontrar, para te deixar ser feliz, para ficar longe e te deixar respirar. Grande verdade: voc~e precisa de ar, de Muito ar.
A saudade me assusta; ela costuma fazer certos sentimentos aumentarem, e aumentar-lhes significa sofrer mais. Não quero parar por certas coisas de novo, sofrer não é bom se não faz crescer. Não quero endurecer, não quero desistir. Mas é impossível continuar a te sufocar. Talvez seja melhor para você que eu caminhe vazio...
A esperança é um dom que eu tenho em mim, mas tenho, a todos os custos de matá-la, o mais rápido possível. E matar o sonho junto. A dor vai ser escruciante, mas assim que eu me colocar de pé, vou estar pronta para cair novamente. Só assim vou estar livre de todos os grilhões que ainda me arrastam para baixo por causa de quando você não disse coisas bels, quando você não me deu segurança. 
Não ter desespero? Mentira. A agonia chega a segurar minha respiração às vezes, é agoniante a cada prato de comida que tenho que comer, e que terei que continuar comendo, sem sentir fome, sem sentir vontade. Só desejo pairando sobre minha cabeça. Desejo inútil, vontade infreável eu terei de frear. As milhões de coisas eu levo.
Sonho inútil. Não depende só de mim, que os próximos sonhos só dependam de mim. Eles serão fortes, reconfortantes, esperanças de coisas que eu vou realizar, que eu posso realizar - sozinha. Coisas para mim. Os dias vão continuar passando. 
Se eu vou ser feliz? Não sei, mas vou lutar por isso. Nada pode significar mais. Não vou mais deixar estarcom você significar mais que a felicidade instantânea e comprida que certos momentos podem me proporcionar. Felizmente não vou deixar mais você estar lá para entristecer o dia. Ou infelizmente.
Mesmo sabendo que nada disso vai ser lido por ti, fica registrado. A música dedico para você, porque mesmo que não seja 100% verdade, é o que eu quero que você saiba. Mas nunca vou cantar ela para você, porque se voltarmos a nos ver, não vai ser mais importante.
Aos leitores reais: ignorem a falta de concordância.

# 3

As coisas vão acontecendo
o dia vai esfriando 
o tempo vai passando
e eu vou te esquecendo

A chuva ainda vai cair
o tempo não vai escurecer
o mundo não vai parar de girar
se estou sem você

Os sorrisos vão se guardar
depois vão voltar a aparecer
as estrelas não vão parar de brilhar
se eu não estiver com você

Vou rir da vida e superar
vou ser forte e vencer
meu mundo vai girar
mesmo sem estar com você

O frio vai chegar
não vou ter como me aquecer
vou te olhar esfriar
e não vou voltar prara você

Vou suspirar de horror
mas não vou esmorecer
quando te ver com outra pessoa
e não estiver com você

Mas antes que eu chore
vou lembrar de você
das lutas que não lutou
por achar que eu continuaria com você

Das vezes que eu estava só
das vezes que você me fez esmorecer
das vezes que do pó
tive de finjeir estar com você

Dos silêncios que ficaram para trás
dos sorrisos que não te causei
das idas e vindas malditas
e de ter continuado com você

Do grito que não gritei
da agonia que suprimi
dos pedaços de coágulo que fiz
por querer estar em ti

Mas eu nunca estive
e é hora de receber
toda tristeza que me causou
por me fazer acreditar em você

Por todos os sonhos que matei
quando tentei estar em ti
por todas as noits sozinhas
que guardei para mim

E do amor que vou guardar
fica só o melhor de tudo
as tristezas jogo fora
junto com o grito mudo

Mas antes quero te ver
voltar e te dizer não
ser forte para não ceder 
ao mesmo coração

Que você se recusou a aceitar
que você não quis ter
vou entregar para alguém
que será melhor do que você

Ou melhor, eu vou guardar
e vai ser meu para sempre

Vou te retribuir indiferença com amor
até me amares o suficiente
para retribuir teu amor com indiferença.

Ou não.

terça-feira, 14 de julho de 2009

Silêncio ~

Silencia a suavidade, a sensitividade, a sensibilidade, silencia a lágrima.
Silencia a flor, o pedido, as mãos, o açúcar dos olhos. 
Silencia o sapatear do coração, a tremedeira, o aperto no peito, a falta de ar. 
Silencia a música de amor, os gestos.
Silencia a graça, a falta de jeito, o bico, a unha, o suspiro.
Silencia, assim a água corre. Silencia, depois se vai. Quando não tiver mais o que silenciar, volta.
Assim a saudade também fica quieta. A vontade de sorrir, a necessidade de sincronizar.
É não fazer tão parte, talvez não ser menos, mas com certeza, ser a peça extra.
Não era a sete chaves? Falta seis. Falta muito.
Ir é o melhor motivo para ser bem recebida ao voltar?
Ir é o único bom motivo pr5a ser bem recebida ao voltar?
Ir é o único motivo para ser bem.
E, quem sabe não seja mais silenciar.
Quem sabe.
E quem sabe não precisa mais falar.
Quem sabe.
A peça extra.
Certeza.
É ter culpa por não querer gritar sozinha?
É Ter!!
Que graça.
Deixar doer?
Ir embora.
Extra.
Silêncio.

Elefante Vermelho

quinta-feira, 9 de julho de 2009

Intro

Ela olhou para todos os lados. A garganta ardia infernalmente, um grito preso; gemeu bestialmente um lamento de liberdade, arremessou as próprias mãos contra a mesa, o vidro grosso se partindo em pedaços, um deles bem definido em forma de punhal.
Seu olhar ardeu nele, depois ardeu na pessoa entre ela e a porta: uma atração fatal, o pescoço pedia a ponta. Ela o segurou, mal notou que uma parte da mão estava ferida. Um corte muito pequeno, mas tão fundo que o sangramento era torrencial, absurdo para o sangue que saia apenas de um talhinho no dedo mindinho.
dessa, mas dela mesma, a ponta luzindo sob a luz fria, em Um grito da pessoa, e a força mudou de direção. O vidro já não caminhava mais no ar na direçãodireção ao pulso. Sentiu a ponta tocar em si mesma, gemeu gostoso da dorzinha, e aí a porta abriu. Forçou mais, apenas um furinho até ser pega por um homem forte e o vidro se despender de sua mão, cair no chão e se tonar poeira daquilo que ela tanto queria. A primeira lágrima rolou em seu rosto. Se debateu, a porta aberta, movimentos tão fortes que quebraram o nariz do homem, e lhe feriram a bochecha; antes que tivesse tempo de correr, um segundo homem surgiu. Ainda dava, ainda era possível, era só lutar! Então, surgiu um terceiro homem. A segunda lágrima escorreu. Rendeu-se pela própria segurança. O pescoço sendo apertado para que as reações parassem, meio arrastada, meio carregada, ela ia sem fazer nenhuma forma para ir para a caixinha sem tampa.
Entrou pela porta de grade e recebeu três picadas no braço direito, uma bolinha na boca, e logo um sono devastador a devorou. Quando deitava e se ajeitava delicadamente, mãos a seguraram e amarraram braços e pernas nas extremidades da cama. A terceira lágrima escorreu. As vozes corriam.
Três vezes o sol nasceu e se pôs duas, até que as faixas fossem desamarradas; e mais 48 horas dela sem se mexer, sem comer, sem mal respirar, até que ela levantou. Mas estava morta. E morta continuaria pelas próximas quatro semanas. Ou era o que todos pensavam.