quinta-feira, 7 de julho de 2011

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Aniquilar a alma daquele que assassinou a sua própria não a trará de volta - mas não deixo de pensar em vingança. Talvez isso me trouxesse de volta.

O Pingo

Um pingo solitário tomba em um espaço singular. Acompanhar sua descida, lenta, que vai acelerando até sua completa aniquilação, ao tocar o chão, desprotegido, mole, inerte.
Ele se rompe, esfarela, voltar a esfarelar, e por fim, desaparece. E nunca mais será aquele mesmo pingo. E nunca mais estará naquele mesmo tempo. Ele começou, teve  uma duração, depois desapareceu.
Pessoas são assim, sabe; seus momentos. Cada um deles é um pingo. Tentar trazer de volta não é possível.


E não posso mais contar nos dedos a quantidade de vezes que tentei trazer de volta o eu que seria perfeito pra agora e ele não consegue mais existir....

segunda-feira, 23 de maio de 2011

Conto: O Mestre das Bonecas

O mestre das Bonecas caminhou pelo meio de seu escuro laboratório à procura da boneca mais bonita. Cada uma tinha um olhar diferente, cada uma o levava a sonhar com um futuro distinto; e como sua cina, ele as pôs todas, de pé, a dançar, a procura da perfeita.
E lá estava ela: o vestidinho manchado de poeira, a boneca usada de porcelana, com graxa na beirada do vestido e o nos olhos o mistério do mundo. E ele pôs-se a dançar com ela, em sua dancinha alucinada, e logo ele a tomou nas mãos. E de perto ele viu suas rachaduras,  e em seus movimentos alucinados, derrubou a boneca no chão. Seu doce rosto sujo despedaçou-se completamente e os cacos se espalharam pela sala em meio à dança alucinada das outras bonecas que, silenciosas, se mexiam e apreciavam toda com espanto. E o Mestre das Bonecas seguiu dançando, pisando os cacos, até que mais nada dela ali sobrasse. E foi então que ele se deu conta do que fizera. Ele se ajoelhou no vestidinho e chorou. Recolhidos os resquícios do que fora a boneca mais bonita ele lamentou cada segundo alucidado, mas nada, nada mais restara dela. A poeira foi atirada ao vento e a roupinha ele despedaçou, furioso. A trança única de cabelos escuros ele segurou entre os dedos, apertou. Depois picou e queimou. Libertou as cinzas junto com o resto, pela janela, ao vento. 
E jamais voltou àquele lugar.


As cinzas circularam no vento, indecisas, e foram levadas pela chuva. E o fantasma da boneca seguiu dançando, nunca parou. E hoje ele dança nos velhos sonhos do grandioso Mestre das Bonecas, o único, o especial, o sublime. O sozinho.

quinta-feira, 12 de maio de 2011

declarado

um olhar que se quebra
emoldurado numa noite fria
plena a manta sombria 
que cobre a palavra ao relento

ao dobrar duma cena vazia
à garganta rompe o tormento
e a agonia levada pelo vento
na imensidão estrelada viaja

e o suspirro rompido
o adeus mal-dado
o fim estabelecido
e o contrato assinado

aperto de mão apertado
chama da fúria acesa
de um revelar anelado
de um ódio eterno declarado
e que a Madre-Senhora o proteja.

quarta-feira, 4 de maio de 2011

Outro blog

Casualmente eu uso esse outro blog pra crônicas http://parisaftermidnight.tumblr.com/
Mas segurei postando aqui.

O sonho

Do interior do pegajoso sonho mais sombrio sinto um hálito morno, que pulsa e que chama, que grita; e à treva densa e grossa, abafa.
E um sonho se afunda em plena lama imunda e revela, em luz, outro, um pouco abaixo da superfície. Abarrotado de escura paina, mal-quisto segundo o fio da realidade.
Esse é o ciclo, esse é o ciclo.
E a espreita fica semi-protegida da oportunidade divina de tocar um anjo.
E a lateral fica desorganizada das lamúrias da espera.
E desenterra: a soma d'O Mundo, a funéria esperança e a Temperança.
Nascida num novo dia, desabrochada, uma flor de outono. E calma ao vento, repousa, os olhos cerrados de piche e os dedos colados do tempo. E desenferruga a engrenagem suprema que move a alma por dentro do corpo. Desmumifica. E nas trevas afunda.
Pois é o escuro mais denso, e o ar mais grosso, e a água mais pegajosa de hidratar, decaída, a busca constante daquilo que talvez nem seja, permanece superior ao sentar no sofá num domingo e fingir que é feliz com os dias iguais.

domingo, 13 de março de 2011

Lolita Poem

Look! Like the waves she walk
little fragile thing indeed
Listen! She sweetest talk
all you need
How could she run away?
How could she say good bye?
But she goes and her smile goes together
she keeps walking
forever.
Look! The way she dance like a flower in the wind
Absolutly sorbed by the light
Can you see her blink eyes
They shine in the darkest night
How could she die alone?
How could she be the lovest thing i ever have?
How could she done all the stars die?
But she get it and yawn gentily
silently deified 
resigned.
Turn off the light of the night
then she can sleep.
Let just one star turned on
she fears the dark.
Gives her Teddy,
so she never will fell alone.
Look! The way she cries
could break even a stone
Listen! The way she talk
hurts you in your bones
How could she?
How could she?
And she cries and run
in the darkest night 
you made especialy for her.
But she goes and her smile goes together
she keeps walking
forever.