Amor fora de sintonia
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Quando eu quero sua atenção, você me dá um novo outro assunto
Se em um dia você me quis, com outra eu estava antes
Nosso amor sempre esteve fora de sintonia
...
sábado, 27 de novembro de 2010
Aviso
Adoro esse blog, mas vou encerrá-lo por falta de seguidores. Alguma hora cansa escrever para a parede.
Papel Amassado
Num quarto vazio,
jogados num canto
um pequeno maço de pincéis baratos
e um pedaço de papel.
Amassado, velho.
Mas ainda perfeito pro uso.
Assim como o sonho
usado
de daqui a alguns anos
varar aquela porta enorme
com um papel que significa
que eu sei.
Um papel amassado que ainda pode ser pintado.
Ou não.
jogados num canto
um pequeno maço de pincéis baratos
e um pedaço de papel.
Amassado, velho.
Mas ainda perfeito pro uso.
Assim como o sonho
usado
de daqui a alguns anos
varar aquela porta enorme
com um papel que significa
que eu sei.
Um papel amassado que ainda pode ser pintado.
Ou não.
sexta-feira, 15 de outubro de 2010
icterícia
menina icterícia
desdenhada superfície de felícia
delicada bandagem enxarcada
da mesma gosma ressecada
que envolve os dedos...
despedaçada
oblíqua a coluna adormecida...
segundo crispado de retundência
ecoando na cabeça espremida
entre o cabelo sujo
e os órgãos em falência
é o som da pestilência
e do sangramento vencido
de um miocárdio dolorido
que desespera obtuso
implorando por segundos de dormência
implorando ser banido
da tortura extrema
e da penitência
é a gosma da divina providência
roubando do corpo demente
a reta medida
entre o fígado, inchado e carcomido
e o baço, que já vencido
morre decrescido
da douçura sublime
e deita despedaçado
pela loucura latente
e separam-se todos
no arsênico, e no formol
um tonel de vício, lástima e riso
onde a figura inerte fica desfalecida
é a imagem paralizada
com os olhos escancarados e chorosos
e onde a graça desmedida da vida
se despedaça cansada, esbaforida
e a dor, extrema, que imobiliza
a visão perfeita, eternizada
desdenhada superfície de felícia
delicada bandagem enxarcada
da mesma gosma ressecada
que envolve os dedos...
despedaçada
oblíqua a coluna adormecida...
segundo crispado de retundência
ecoando na cabeça espremida
entre o cabelo sujo
e os órgãos em falência
é o som da pestilência
e do sangramento vencido
de um miocárdio dolorido
que desespera obtuso
implorando por segundos de dormência
implorando ser banido
da tortura extrema
e da penitência
é a gosma da divina providência
roubando do corpo demente
a reta medida
entre o fígado, inchado e carcomido
e o baço, que já vencido
morre decrescido
da douçura sublime
e deita despedaçado
pela loucura latente
e separam-se todos
no arsênico, e no formol
um tonel de vício, lástima e riso
onde a figura inerte fica desfalecida
é a imagem paralizada
com os olhos escancarados e chorosos
e onde a graça desmedida da vida
se despedaça cansada, esbaforida
e a dor, extrema, que imobiliza
a visão perfeita, eternizada
quinta-feira, 5 de agosto de 2010
Um interlúdio entre a clara verdade e a ilusão da fantasia
Se a liberdade significa alguma coisa, será sobretudo o direito de dizer às outras pessoas o que elas não querem ouvir.
George OrwellUm ser humano: ele nasce. Ele tem braços, tem pernas; tem fome, frio, sede... tem vontades. Elas crescem e amadurecem com ele, ao lado dele, dentro da clara compreensão de que cada escolha culmina uma consequência, e que a liberdade dele está dentro, e somente dentro dele mesmo. Ele nasce com esse desejo implícito de voar sobre o chão, poder abrir as asas quando quiser, uma alma tão fina e leve que levanta facilmente voo. E aí é que vem o problema: alguma hora, em algum momento, ele vai precisar dizer não. Ele terá que dizer não pra sua vontade, e então, se tornará verdadeiramente livre. O que é dessa pessoa que não o diz?
segunda-feira, 2 de agosto de 2010
Silêncio
Silêncio, silêncio
Silêncio no vácuo
Um grito rompe a garganta
No espaço o som não se propaga
Silêncio.
segunda-feira, 19 de julho de 2010
Ciúme
Uma energia obtusa se prolifera nas entranhas mais sanguentas. Um cadáver lá se deposita e fermenta pútrido à mercê de larvas e vermes patéticos, que se fortalecem na dúvida. Um açoite incessante. Um passado que não se apaga. Uma história que se repete na mente. Obsessão.
Foi atirada em um buraco úmido e gelado. Caiu direto, aquecida somente pelos pequeninos raios de luz que manteve vivos no peito. Logo se viu flutuando no ar, sem chão, parede ou teto, suspensa num pus amarelado e denso, levemente opaco e pegajoso. Logo o líquido cismou em possui-la e foi adentrando suas narinas e boca, preenchendo seus pulmões e deixando o horrível gosto de limbo e ranho de podre, e conforme entrava, ia crescendo lá dentro e a empurrando de dentro pra fora, como se a qualquer momento ela fosse explodir. Os olhos sendo precionados pra fora, a ardência mesquinha que causava a pressão, a sensação de não ter as pernas... já não respirava mais o ar. Tremeu petrificada, se remexeu, calada e tentou nadar pra fora, mas era uma bolha hermética, sem abertura alguma, selada com a força dos deuses por uma pele escorregadia e translúcida. Lutou ainda um pouco, tentando sair. Inútil. Cada grito que forçava sair, mas o pus entrava pelo esôfago, mais pressão por dentro ela sentia. Desistiu então. De fora da bolha apenas se via a criatura desfalecida, os olhos escancarados, a boca semi-aberta, a alma vazada pra fora por debaixo das unhas.
Um impulso final... uma explosão. Toda sopa nojenta regurgitada, a bolha desfeita de um impulso só... e ela volta a cair. Os olhos petrificados... o sorriso torto na boca. Ela nunca parou de cair.
O ciúme não era a bolha, nem o caldo... o ciúme era o buraco.
Foi atirada em um buraco úmido e gelado. Caiu direto, aquecida somente pelos pequeninos raios de luz que manteve vivos no peito. Logo se viu flutuando no ar, sem chão, parede ou teto, suspensa num pus amarelado e denso, levemente opaco e pegajoso. Logo o líquido cismou em possui-la e foi adentrando suas narinas e boca, preenchendo seus pulmões e deixando o horrível gosto de limbo e ranho de podre, e conforme entrava, ia crescendo lá dentro e a empurrando de dentro pra fora, como se a qualquer momento ela fosse explodir. Os olhos sendo precionados pra fora, a ardência mesquinha que causava a pressão, a sensação de não ter as pernas... já não respirava mais o ar. Tremeu petrificada, se remexeu, calada e tentou nadar pra fora, mas era uma bolha hermética, sem abertura alguma, selada com a força dos deuses por uma pele escorregadia e translúcida. Lutou ainda um pouco, tentando sair. Inútil. Cada grito que forçava sair, mas o pus entrava pelo esôfago, mais pressão por dentro ela sentia. Desistiu então. De fora da bolha apenas se via a criatura desfalecida, os olhos escancarados, a boca semi-aberta, a alma vazada pra fora por debaixo das unhas.
Um impulso final... uma explosão. Toda sopa nojenta regurgitada, a bolha desfeita de um impulso só... e ela volta a cair. Os olhos petrificados... o sorriso torto na boca. Ela nunca parou de cair.
O ciúme não era a bolha, nem o caldo... o ciúme era o buraco.
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