domingo, 10 de maio de 2009

Alma

Ama meus olhos como ama minha alma.
Por mais que meus olhos te possam ser belos, eles são só um borrão do que está do lado de dentro: cada detalhe de ternura que eles extenuam, antes de ser um novo brilho nos meus olhos, foram uma explosão de luz na minha alma, algo que só alguém que vê além dessa capa castanha enxergaria. Se amares minha alma como ama meus olhos, de repente, de súbito, cada maldita lágrima e cada maldito pensamento de sumir do mundo e largar tudo - cada vez que sangrei sozinha no silêncio que me presenteaste - vai fazer sentido.

sexta-feira, 8 de maio de 2009

Despedindo-me da vida que eu vivia.
Não é mais do meu feitio poder sentir ciúmes, nem poder sentir amor intenso; o desejo se esvai, a sorte é novamente atirada aos porcos e os dados são rolados: será triste ou vazio o caminho?
O sangue derramado secou, agora posso olhar para trás e dizer que talvez não tenha valido a pena; ruim que tamanho demorou para tal.
Todos os silêncios ainda estão guardados, todas as peripécias confusas da minha mente continuam sem tradução. Sentir um caminho me envolver, e de repente ser jogada de volta para fora, pela minha mente. Minha mente agindo o tempo inteiro, descontrolada, vendo a tragédia de perder algo que já tinha perdido. Na verdade, a tragédia já aqui estava antes que minha pouco intensa percepção notasse: coisas invisíveis e emoções que ninguém controla, uma força maior central. Um desejo de ter e não conseguir, uma vontade partida.
Nada que vá desaparecer, nada que não vá cicatrizar.
O bom é que, quando tudo chega no fundo, não há mais pra onde descer; quando o fundo é escuro e sombrio, nada existe além dos pensamentos. Deixar as emoções irem embora, deixar elas escorrerem e ficarem em um lugar onde não as verei se em algum momento voltar para lá.
É a desventura de estar dento de uma bolha.

segunda-feira, 4 de maio de 2009

Clichê estúpido

Que me desculpem os leitores dessa porcaria - se é que ainda tem algum - mas precisava tacar isso em algum lugar. 

"Se sua vida dependesse do meu amor, viverias mais que a vida, pois te amo mais que o amor."

quarta-feira, 29 de abril de 2009

Derrota

Cedi às peripécias do éther...
Delgando entre as estruturas ele derrete mole e gelado nas minhas entranhas estranhas... Vou pegar de volta aquele velho brinquedo e tirar a poeira. Como era mesmo que o poeta dizia?
Putz, insônia, nem lembro. De qualquer jeito, nunca disse que estar aqui dentro era sobre jogos seguros, Abel.
- E eu nunca disse que era sobre impulsos e atitudes burras, Cain.

Paixão fulminante

Jamais esperei sentir isso por ele... Ele ficava longe, habitando os meus sonetos, ele e seus acessórios, mas agora fica por perto, parece que perdi minha tendência carioca natural...
Estaria eu cedendo aos confortos do "Tu" e cia.?
Ele fica meio na ponta da língua às vezes, mas na ponta dos dedos e do lápis virou constante; mesmo nas crônicas mais fuleiras, ele é realemnete mais confortável e prático de usar. Aí penso: se o carioquês o dispensou por ser antiquado, e novamente eu o abraço por conforto, por que não fazer o mesmo com outras coisas?
Não existe nada de errado em ser antiquado com certas coisas, ter certas idéias do passado. O romance do passado era pequeno, preso, mas era forte o laço, era sobre certezas. O bom romance não é o do passado, mas menos ainda o de agora. Por que não agora que existe liberdade, combinar a liberdade e deixar o romance crescer sem fôrma, mas ficar sempre lá porque existe uma certeza, uma vontade de para sempre além de qualquer expectativa racional, uma vontade de para sempre metafísica. A combinação ideal para quem é idealista. A combinação mais rara e, em contrapartida, a mais constante: nos seus primieros romances será constante, e irá parar de ser assim dependendo de com quem forem os romances anteriores, o quão bobo se pode ser da vida, o quão atirado e louco se pode ser, e o quanto se pode surpreender ao par, e antes a si mesmo, esperando algo estúpido e sem sentido de uma vida que vai acabar.
Não existe o para sempre, mas a vontade de para sempre alimenta a intensidade; a certeza imaginária de uma amanhã com pés para esquentarem os seus te dá gás para explodir e morrer de amor a cada segund, voltar a vida e repetir o processo. E veja só, "te dá gás". O tu aí novamente...

quarta-feira, 15 de abril de 2009

Os Sete movimentos do Poder

Vizualize o objetivo. Enchergue além das profundezas da situação, simplifique o máximo que puder. Trace um objetivo final, proponha a si mesmo que será árdua a jornada; concentre forças e tenha certeza. O sucesso irá depender de todos os fatores envolvidos, avalie suas possibilidades. Enchergue sempre o horizonte a frente. São eles:

1. Aproximação;
2. ação inconsequente;
3. surpreenda;
4. aproveite a situação criada pela ação anterior e faça a quarta ação;
5. ação de movimento levemente contrário ao objetivo;
6. surpreenda a si mesmo;
7. sacrifique algo importante que antes tinhas para alcançar o objetivo.

Na verdade, isso é só uma baboseira que vi em um filme, mas funcionou comigo... o.o

domingo, 5 de abril de 2009

Vilão

A culpa é do mundo... A culpa é dos deuses, seres cruéis... A culpa é do destino, que é mal e luta pela minha infelicidade... Lamento por qualquer um que tenha quaisquer dessas respostas para o próprio insucesso. Lamento mesmo. De coração. Ou não.
Difícil é quando não é o destino, nem os deuses, nem nada desses fatores etérios e dessas desculpas para tolos. Difícil é quando a culpa é de alguém. Meu coração se partiu porque alguém o partiu, sou infeliz porque alguém me fez infeliz. Tudo desculpa esfarrapada para quem não corre atrás do próprio bem-estar, para quem não se aceita. Não é o que o mundo faz para te tornar feliz, é o quanto você recebe o que a vida trás; infelicidade é opção. Um travesseiro, uma cama cheirosa, comida na mesa. Isso é ter prato cheio para felicidade.
Culpar os outros dea própria infelicidade é sinal de fraqueza de caráter. É não saber se olhar no espelho e se ver, é não saber aceitar a própria realidade.
Por a culpa nos outros é moleza, descontar a raiva em quem não tem nada a ver é fácil; tudo coisa de covarde. Aceitar a situação e olhar a vida, e agradecer - isso é para os fortes.
Seu ódio, sua revolta, sua angústia não vão mudar as coisas. Sua vontade de ser feliz vai. Culpar os outros é mascarar uma culpa de si mesmo. Você é o vilão da própria vida.